segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Afinal, o que é amor?

Afinal, o que é amor?

Sem saber o que é amor, caminha-se rumo ao desconhecido. As palavras têm o poder. Elas tornam visível o que antes era invisível.

Em língua portuguesa, amor é uma palavra confusa. Mas o grego antigo pode nos ajudar, pois sem palavras não tomamos posse das coisas.

1. Amor pode se “porneia”, amor libertino, carnal.

2. Amor “éros” (ἔρως), nesse caso, há sexo e outras emoções, por exemplo, o romance.

3. Amor “ágape” (ἀγάπη), amor pelo próximo. Freud chamou de “amor oceânico”.

4. Amor “philia” (φιλíα) aparece na Ética a Nicômaco de Aristóteles seria admiração.

Mas o grego antigo de Aristóteles deixa de fora outras emoções também chamadas de amor, a “paixão”, por exemplo.

Paixão, escreve Houaiss, vem do latim tardio de  “passìo, passiónis” paixão, passividade; sofrimento. Paixão é uma forma doença. Há psicanalistas que dizem que paixão na vida adulta é um sintoma ruim.

5. A paixão é comparada ao fogo de palha: arde muito e dura pouco. A paixão tende a se dissolver com a conquista.

Paciência vem do latim  patiéns “aquele que suporta, resiste, aguenta, sofrer (cf. Houaiss, 2001).

A palavra grega pathos, “sentimento” deu origem a patologia e a paciente, doente, pessoa que precisa ser tratada de alguma doença.

Aliás, doente é paciente.

Há quem se refira a obsessão como uma figura do amor.

6. Obsessão era vista como um demônio atormente o espírito; compulsão. A neurose obsessivo-compulsiva se manifesta como ação de molestar com pedidos insistentes; impertinência, perseguição, vexação. Veio do lat. “obsessìo, obsessiónis, é assédio, cerco, bloqueio (cf. Houaiss, 2001).

Veja o que escrevem os psicanalistas Roudnesco e Plon (2012).


“Na melancolia e na neurose obsessiva, o sentimento de culpa persiste e corresponde ao que chamamos ‘consciência moral’. Em ambos os casos, o ideal do eu investe contra o eu com rara ferocidade, mas as formas dessa severidade e as respostas do eu são diferentes. Na neurose obsessiva, o paciente recusa sua culpa e pede ajuda. Confrontado com uma aliança entre o supereu e o isso, desconhece as razões da repressão de que é vítima. Na melancolia, o eu se reconhece culpado e podemos formular a hipótese de que o objeto da culpa já está no eu, como produto da identificação”.

3 comentários:

  1. Lhe sugiro uma leitura : Obras da carne e fruto do Espirito.
    Barcley, vai fazer um analise profunda de demandas humanas , num prisma Bíblico sobre o assunto. Indicadíssimo para quem quer definir, realmente, o amor.

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  2. Descobrindo seu blog somente agora, mas já me sentindo em casa novamente ao lê-lo. Grande abraço, professor

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