segunda-feira, 20 de maio de 2019

Jesus nos quer desarmados ou armados?


Muitos religiosos, fazendo um discurso politicamente correto, dirão que Ele nos quer desarmados. Mas não é verdade.

Jesus nos quer armados em muitas passagens.
“Mas agora” – disse-lhes ele –, “aquele que tem uma bolsa, tome-a; aquele que tem uma mochila, tome-a igualmente; e aquele que não tiver uma espada, venda sua capa para comprar uma. (Lucas 22, verso 36).

Entretanto, a espada deve ser  usada para a segurança de quem a usa.
Jesus, no entanto, lhe dis¬se: “Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão”. (São Mateus 26, 52).

 A palavra espada aparece 406 vezes na Bíblia de Jerusalém.  No contexto em que Lucas manda que se venda uma capa para comprar uma espada, o capítulo 22, Jesus que era um judeu (o catolicismo só passará a existir quase 300 anos mais tarde), se reúne com os discípulos para celebrar o último Shabbat dele.

O Shabbat começa na noite de sexta-feira e vai até a noite de Sábado. Aquele, entrementes, era especial, pois estavam nos dias de Comemoração da Páscoa Judaica (Pêssach). 

É nesse clima de aflição, pois Jesus sabe que corre risco de morte e as rezas do Shabbat que está a porção das Duas Espadas do evangelho de Lucas (22, versos 35, 38).

domingo, 14 de abril de 2019

Hoje é dia de conversar

Hoje é dia de conversar.

Conversa cura muitos males: depressão leve, nostalgia, solidão, autodestruição, coceira nas costas, infestação por piolhos e até saudades.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Depressão profunda ou preguiça patológica. O que é pior?



Juraci não vê sentido na própria vida. Costuma ter baixa autoestima, desinteresse pelos outros e pelas coisas. Estava quase sempre voltado para ele mesmo. Era capaz de dormir até a hora do almoço, almoçar e voltar para os próprios pensamentos e interesses.

Juraci às vezes melhorava, mas logo voltava para aquele isolamento feito de tédio e desamparo.

Juraci era deprimido.

Adir não gostava de nada que desse trabalho: casa, serviços, emprego. Não gostava de ninguém que desse trabalho: filho, marido ou parentes. 

Era hedonista. Muito focada no próprio prazer, fosse do estômago ou da fantasia. Vaidosa. Alisava e pintava os cabelos, cuidava de si, só andava bem vestida. Era capaz de dormir até a hora do almoço e depois se levantar, deixar todos os que dependiam dela abandonados e sair para almoçar com as amigas.

Adir tinha preguiça patológica.

Juraci ainda vive. 
Adir morreu.
Juraci foi diagnosticado.
Adir não foi.

domingo, 31 de março de 2019

Cinco formas de amar em grego

Cinco palavras para dizer amor em grego:

Porneia, amor devasso e ilícito. “Relações sexuais ilícitas”, que inclui adultério e outros ilícitos.

Eros (em grego: "ἔρως" transliteração para o latim "érōs") é o amor apaixonado, com desejo e atração sensual. A palavra moderna grega “erotas” significa “o amor (romântico)”. Amor lícito.

Filia, Philia (em grego: φιλíα; transl.: philia, filia) retirado do tratado de Ética a Nicômaco de Aristóteles, o termo é traduzido geralmente como "amizade", e às vezes também como "amor de amigos". Admiração.

Ágape (ἀγάπη agápē[1]): significa “amor” no grego moderno.

Estorge, Storge (στοργή storgē): “afeição” do grego moderno. É usada para indicar a afeição natural como aquela que os pais sentem pela prole. É considerado o mais benéfico dos afetos.

sábado, 30 de março de 2019

Leitura Diária & Momento de Sabedoria I




Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia". (Albert Camus, 1942, p. 7).

"O que é verdadeiro para sentimentos já especializados o será mais ainda para emoções" [...] (Albert Camus, 1942, p. 12).

"Se acredito que todos são falsos, então eu também sou falso". (Autor Desconhecido).

"Existe um fato evidente que parece inteiramente moral: é que um homem é sempre a presa de suas verdades. Uma vez reconhecidas, ele não saberia se desligar delas".  (Albert Camus, 1942, p. 27).

"Pensar é reaprender a ver [...]". (Albert Camus, 1942, p. 34).

"Tudo vale a pena se a alma não é pequena" (Fernando Pessoa, 1915(?). Poema em linha reta)

quarta-feira, 27 de março de 2019

O Mito de Sísifo (Albert Camus, 1942) Anotações pessoais. Parte 1:"o homem absurdo".



Estou lendo esse livro O Mito de Sísifo para tentar entender como alguém cuja imensa dor começou com a morte do pai dele quando Albert Camus ainda era um bebê em Argélia e só terminou quando finalmente a tuberculose o matou poderia amar tanto a vida.

Essas notas me ajudaram muito. Espero que ajude a mais alguém.

"Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio.
Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à
questão fundamental da filosofia". (Albert Camus, 1942, p. 7).

"[...] Vejo que muitas pessoas morrem por achar que a vida não vale a pena ser vivida. Vejo outras que paradoxalmente se fazem matar pelas idéias ou as ilusões que lhes proporcionam uma razão de viver (o que se chama uma razão de viver é, ao mesmo tempo, uma excelente razão para morrer). Julgo, portanto, que o sentido da vida é a questão mais decisiva de todas". (Albert Camus, 1942, p. 8).

"O suicídio sempre foi tratado somente como um fenômeno social. Ao invés disso, aqui se trata, para começar, da relação entre o pensamento individual e o suicídio. Um gesto como este se prepara no silêncio do coração, da mesma forma que uma grande obra. O próprio homem o ignora. Uma tarde ele dá um tiro ou um mergulho". (Albert Camus, 1942, p. 8).

"O que é verdadeiro para sentimentos já especializados o será mais ainda para emoções" [...] (Albert Camus, 1942, p. 12).

"Ensina-nos que um homem se define tanto por suas comédias quanto por seus impulsos sinceros". (Albert Camus, 1942, p. 13).

[...] "afirmando que tudo é verdadeiro, afirmamos a
verdade da afirmação oposta e, conseqüentemente, a falsidade da
nossa própria tese (pois a afirmação oposta não admite que ela
possa ser verdadeira). E, se dizemos que tudo é falso, também esta
afirmação se torna falsa". (Albert Camus, 1942, p. 17).

"É preciso considerar como uma referência permanente, neste ensaio, a constante separação entre o que imaginamos saber e o que realmente sabemos, o consentimento prático e a ignorância simulada que nos levam a viver com idéias que, se verdadeiramente experimentássemos,deveriam perturbar toda a nossa vida". (Albert Camus, 1942, p. 18).

"Existe um fato evidente que parece inteiramente moral: é que um
homem é sempre a presa de suas verdades. Uma vez reconhecidas, ele não saberia se desligar delas".  (Albert Camus, 1942, p. 27).

"Eu tomo a liberdade de chamar agora de suicídio filosófico a atitude existencial. Mas isso não implica um julgamento. É uma maneira cômoda de designar o movimento pelo qual um pensamento se nega a si mesmo e tende a se ultrapassar naquilo que constitui sua negação. Para os existenciais, a negação é seu Deus. Exatamente: esse deus só se sustenta com a negação da razão humana.  Mas,
como os suicidas, os deuses mudam junto com os homens. Há diversas maneiras de saltar, mas o essencial é saltar. (Albert Camus, 1942, p. 33).

"O raciocínio que este ensaio vem pretendendo -- é preciso dizê-lo uma vez mais -- deixa completamente de lado a atitude espiritual mais propalada em nosso século esclarecido: a que se apóia sobre o princípio de que tudo é razão e que tem em vista dar uma explicação do mundo". (Albert Camus, 1942, p. 34).

"Pensar é reaprender a ver, dirigir a consciência, fazer de cada imagem um lugar privilegiado. Em outras palavras, a fenomenologia se recusa a explicar o mundo: quer apenas ser uma descrição do vivido". (Albert Camus, 1942, p. 34).

"O mundo para ele [Husserl] não é nem tão racional, nem a tal ponto irracional. Ele é despropositado e apenas isso". (Albert Camus, 1942, p. 38).

"É no final desse caminho difícil que o homem absurdo reconhece suas verdadeiras razões. Comparando sua exigência profunda ao que então lhe é proposto, ele sente, de súbito que vai se desviar". (Albert Camus, 1942, p. 38).

Enfim, "Meu raciocínio pretende ser fiel à evidência que ele despertou. Essa evidência é absurda. É esse divórcio entre o espírito que deseja e o mundo que ilude, minha nostalgia de unidade, esse universo disperso e a contradição que os encadeia". (Albert Camus, 1942, p. 39).



sexta-feira, 22 de março de 2019

Daniela não precisava morrer! Direito à legítima defesa




Por que o cidadão brasileiro não tem o direito líquido e certo à legítima defesa?

De um ponto de vista hermenêutico, há problemas quase insolucionáveis:

1º. A definição de homicídio brasileira de homicídio.
2º. A causa da morte.
3º. Erro de tradução do texto biblico.
4º. A falta de informações confiáveis.


Comecemos pela definição.

Nos EEUU, a palavra-chave para de entender as estatísticas governamentais é assassinato, termo razoavelmente bem definido pelo Escritório de Estatísticas de Justiça (Bureau of Justice Estatistic, BJS).

Murder
(1) Intentionally causing the death of another person without extreme provocation or legal justification or (2) causing the death of another while committing or attempting to commit another crime.[1]

Comparemos a definição brasileira de homicídio do Código Penal Brasileiro, artigo 121, pois o CPB não tem a palavra assassinato.
Homicídio. Matar alguém. (Brasil. Código Penal Brasileiro. Decreto-Lei no 2.848, DE 7 de Dezembro de 1940).

Portanto, quer tenha havido ou não a intenção de matar; mesmo que o ator da morte tenha sido extremamente provocado, mesmo que tenha uma justificativa legal como a defesa de si mesmo e ou de terceiros, o ato de matar alguém é homicídio.

Essa não é a única dificuldade do cidadão brasileiro. Raramente as mortes em que a arma é um carro são tratadas pela justiça pela justiça brasileira como homicídio.


Causa da morte.

O que é causa? A justiça precisa dessa definição. O artigo 13 do CPB definie-a: “Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”.

O médico pode atestar a causa mortis, salvo situações excepcionais. “A declaração e o atestado obrigatoriamente devem ser preenchidos pelo médico, sendo inaceitável qualquer delegação, pois é ato de exclusiva competência do médico. A única exceção são as localidades onde não existem médicos [...]”.
A conduta do médico, por mais correta que esteja, será que ela não pode obscurecer um casso de assassinato?

Talvez. Suponha que uma pessoa levou uma facada, fez cirurgia e passou a ser usar uma bolsa de colostomia. Onze meses depois dessa facada no abdome, essa pessoa tem uma infecção fatal em decorrência de complicações na colostomia. Qual foi a causa da morte? Será que um médico pode atestar que  foi um infecção bacteriana? Ou ele deveria informar que foi a facada no abdome?

A definição de causa do CPB é pouco eficaz nesse caso. Se o médico informar que a causa da morte foi uma infecção bacteriana, então, o esfaqueador não será julgado por homicídio (Lembre-se, não existe a categoria assassinato no CPB.)
Nos EEUU ou Reino Unido esse caso seria investigado como assassinato, por a morte tem causas que remontam a até mais de um ano e um dia anteriores a morte.

A informação de que se dispõe nesse momento é a seguinte: a causa da morte pode ser relacionada a qualquer ação ou omissão aterior, mesmo que tenha ocorrido a mais de um ano Law Reform[2].


Erro na tradução do quinto mandamento

Crescemos ouvindo dizer que o quinto mandamento é “Não matarás.” Será?
Veja o que se lê em Êxodos (20:12) não assassinarás. A tradução “não matarás” é muito ruim. (Martar, em hebraico é: להרוג. Assassinar é: להתנקש.). O verso biblico é não assassinarás.

Falta de informações confiáveis

Para tratar um queixa, doença, mal-estar é preciso diagnóstico correto. Diagnósticos dependem, entre outras coisas, de informações precisas.Essas informações podem ser queixas, dados, indicadores empíricos obtidos por análises, suporte científico para examinar esses dados e informações.

Onde estão as informações precisas sobre assassinatos no Brasil?

Quase tudo que se conhece está nos mapas da violência elaborados por pessoa jurídica de direito e interesses privados.

Até este momento, o IBGE parou de coletar dados em após o periodp 1990 a 2009, pouco depois do estatuto do desarmamento.

Datasus também não dispõe de dados posteriores atualizados.

Ministério da Justiça não tem dados confiáveis a ponto de produzir documentos legais com base no Mapa da Violência.

Outro aspecto importante diz respeito à falta de investigação das mortes violentas, então como distinguir assassinato de legítima defesa? Assassinato de suicídio ou equivalente ao suicídio, isso é, a morte por processos autodestrutivos crônicos?

Considerações finais

Enfim, o que importa é entender que no Brasil, se uma pessoa ousar defender sua família ou seu patrimônio usando uma arma de qualquer tipo será tratado como criminoso, vis-a-vis o caso do cunhado de Ana Hickmann, Gustavo Corrêa, que foi a jure popular por ter defendido a mulher dele e a cunhada atacada num hotel[3].



[1] Assassinato
(1) causar intencionalmente a morte de outra pessoa sem extrema provocação ou justificativa legal ou (2) causar a morte de outra pessoa enquanto cometer ou tentar cometer outro crime. (Tradução livre). (BJS: Bureau of Justice Statistics. Terms & Definitions: Crime Type, p.1. Disponível em: https://www.bjs.gov/index.cfm?ty=tdtp&tid=3. Acessado em: 22.03.2019).

[2] (House of Lords Hansard. Year And A Day Rule) Bill. 24.04.1996. Disponível em: https://hansard.parliament.uk/lords/1996-04-24/debates/0ca0b171-7115-466f-9be7-56563d04e35e/LawReform(YearAndADayRule)Bill Acessado em: 22.03.2019).

[3] (ÂNGELO, Pedro. Promotor diz que vai pedir pena de 6 a 20 anos para cunhado de Ana Hickmann; Gustavo alega que 'não teve opção'. Disponível em: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/promotor-diz-que-vai-pedir-pena-de-6-a-20-anos-para-cunhado-de-ana-hickmann-por-morte-de-fa-em-bh.ghtml. Acessado em: 22.03.2019.)


Jesus nos quer desarmados ou armados?

Muitos religiosos, fazendo um discurso politicamente correto, dirão que Ele nos quer desarmados. Mas não é verdade. Jesus nos quer arma...