Era meio-dia e meia. Frequentemente almoçamos nesse horário em
minha casa. Dia 29 de agosto de 2017 não seria diferente.
Eu e minha família paramos num restaurante em Lisboa, na
zona do Parque das Nações. Não o conhecia, mas tinha boa aparência. Olhamos a
ementa (cardápio). Pareceu muito interessante.
Procurei uma mesa mais próxima possível do balcão de
atendimento com a intenção de facilitar o atendimento. Sentamos. Nós estávamos
com muita saudade da boa comida lisboeta, do cheiro agridoce dos temperos
tradicionais.
Havia dois garçons ― uma mulher e um homem ― e
outra pessoa, talvez um gerente. Esperei que algum dos três funcionários
olhasse para nós, afinal éramos seis. Não olharam. Fiz um sinal sonoro
discreto. Não adiantou. Os garçons estavam preparando outras mesas para receber
os clientes. Precisamente, eles colocavam toalhas de papel sobre as mesas.
Depois de muito tempo, pelo
menos uns 5 minutos, eu desisti e chamei meu povo. Fomos almoçar num boteco que
já conhecíamos. Mineiro de Belo Horizonte gosta de comida-de-boteco .
Logo que chegamos ao boteco tão querido, o lugar já estava
lotado. O dono na caixa fez um breve comprimento. A mulher dele sorriu e pediu
que esperássemos. Fomos atendidos logo. Não demorou mais que 5 minutos para ela
tirar o pedido.
Almoçamos muito bem e, principalmente, fomos muito bem
atendidos.
Agora me pergunto: Se uma pessoa gosta mais de arrumar o
salão do restaurante que atender aos clientes desse mesmo restaurante, por que
não foi ser o zelador? Não se pode
servir a dois deuses ciumentos ao mesmo tempo.
Na verdade, eu entendo tudo isso. Quando uma empresa vai à
falência principalmente porque não dá atenção ao cliente, porque seus
funcionários não gostam de clientes, nem de vender, o dono sempre pode
racionalizar e culpar alguém ou alguma coisa pelo fracasso. Depois e dormir
endividado, mas livre de culpa e pecados do próprio fracasso.


