quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Onde almoçar bem em Lisboa?

Era meio-dia e meia. Frequentemente almoçamos nesse horário em minha casa. Dia 29 de agosto de 2017 não seria diferente.

Eu e minha família paramos num restaurante em Lisboa, na zona do Parque das Nações. Não o conhecia, mas tinha boa aparência. Olhamos a ementa (cardápio). Pareceu muito interessante.

Procurei uma mesa mais próxima possível do balcão de atendimento com a intenção de facilitar o atendimento. Sentamos. Nós estávamos com muita saudade da boa comida lisboeta, do cheiro agridoce dos temperos tradicionais.

Havia dois garçons ― uma mulher e um homem ― e outra pessoa, talvez um gerente. Esperei que algum dos três funcionários olhasse para nós, afinal éramos seis. Não olharam. Fiz um sinal sonoro discreto. Não adiantou. Os garçons estavam preparando outras mesas para receber os clientes. Precisamente, eles colocavam toalhas de papel sobre as mesas.

Depois de muito tempo, pelo menos uns 5 minutos, eu desisti e chamei meu povo. Fomos almoçar num boteco que já conhecíamos. Mineiro de Belo Horizonte gosta de comida-de-boteco  .



Logo que chegamos ao boteco tão querido, o lugar já estava lotado. O dono na caixa fez um breve comprimento. A mulher dele sorriu e pediu que esperássemos. Fomos atendidos logo. Não demorou mais que 5 minutos para ela tirar o pedido.

Almoçamos muito bem e, principalmente, fomos muito bem atendidos.

Agora me pergunto: Se uma pessoa gosta mais de arrumar o salão do restaurante que atender aos clientes desse mesmo restaurante, por que não foi ser o zelador? Não se pode servir a dois deuses ciumentos ao mesmo tempo.


Na verdade, eu entendo tudo isso. Quando uma empresa vai à falência principalmente porque não dá atenção ao cliente, porque seus funcionários não gostam de clientes, nem de vender, o dono sempre pode racionalizar e culpar alguém ou alguma coisa pelo fracasso. Depois e dormir endividado, mas livre de culpa e pecados do próprio fracasso.

domingo, 20 de agosto de 2017

O Golpe do Menino(a) Triste


O Golpe do menino funciona assim:

Passo 1. A invenção da tristeza. O rapaz inventa que está sofrendo por alguma razão (doença, perdas, frustrações);

Passo 2. A abordagem triste. Ele se aproxima da vítima, por exemplo, uma mulher com quem ele quer dormir e conta a história triste dele. Sensibiliza a ouvinte. Fá-la sentir dó dele;

Passo 3. O golpe. Em seguida ele pede o que quer (dinheiro, sexo, atenção, afeto).

Funciona melhor que o Golpe do tapete angolano.

Conheci um especialista. Ele aplicou esse golpe durante vida toda, mesmo quando era um senhorzinho. A versão predileta dele era a tristeza ou a dor. Sofreu de tudo: transtorno de ansiedade, pânico, depressão, hipertensão arterial, cefaleia, gastrite, cálculo renal.


Por ultimo, convenceu a todos que estava com câncer (cancro). Até o oncologista acreditou nas queixas dele e iniciou um tratamento. Em virtude de uso abusivo de medicamento, ele morreu. Morreu feliz repetindo o bordão: “Agora vocês acreditam?”

sábado, 5 de agosto de 2017

Quem ama beija.




Como era o amor há 80 anos? Há 100 anos?

Dona Jupira e Seu Chiquinho, um casal lindo que vivia no isolado Vale da Babilônia, bem que poderiam responder. Mas a pergunta não lhes foi feita. Pelo menos não assim.

O jornalista queria apenas saber como as pessoas viviam num dos sítios mais isolados das Minas Gerais, sudeste do Brasil. E começou a gravar cedo, no curral, vendo Seu Chiquinho ordenhar.

Ordenha é trabalho duro. Exige vigor, paciência, habilidade, força e, nesse caso, capacidade de suportar o frio da Serra da Canastra.

― Dona Jupira ajuda o senhor, Seu Chiquinho? 

― Ajuda, ajuda sim senhor..

― O que Dona Jupira faz?

― Ela solta o bezerro.

Depois, na cozinha, fogo da casa, Dona Jupira começa a assar uns pães-de-queijo. Encantado com o sabor, o cheiro, a textura da iguaria, o jornalista pergunta:

― Seu Chiquinho, que tal montarmos um negócio para vender pão-de-queijo em São Paulo? Ganharíamos bastante dinheiro. Esse pão é divino.

Seu Chiquinho não respondeu. Não carecia.

― Dona Jupira, Seu Chiquinho lhe ajuda a preparar os pães-de-queijo?

― Ajuda.

E a câmera fecha nas mãos calejadas de Seu Chiquinho fazendo bolinhas com a massa do pão-de-queijo.

― Como foi que o senhor conheceu Dona Jupira?

― Nossos pais eram amigos. Quando eles saiam para caçar, eu ficava tomando conta dela.

― O namoro naquele tempo era diferente, não era Seu Chiquinho? Era só olhares. Mãos dadas...

Nesse instante o olhar de Dona Jupira atravessou a conversa: Mão na mão? Que ridículo! Será que esse senhor nunca amou?


Jesus nos quer desarmados ou armados?

Muitos religiosos, fazendo um discurso politicamente correto, dirão que Ele nos quer desarmados. Mas não é verdade. Jesus nos quer arma...