sábado, 18 de março de 2017

Trate inimigo como inimigo


Duas jovens dividiam um apartamento. Uma delas, Dina, era uma pessoa boa e justa. A outra, Nanda, uma viciada em drogas ilícitas.

Elas sempre brigavam por causa das coisas que Nanda fazia e das pessoas que ela levava ao apartamento.

Um dia as brigas chegaram ao extremo. Dina não aguentava mais os vícios, transtornos de humor, a venda de droga. Depois daquela briga, foi parar na casa de um amigo. Dormiu lá.

No dia seguinte, mais calma, resolveu dividir o apartamento com o amigo. Para isso, precisava pegar as coisas dela na casa da Nanda.

Dina mandou uma mensagem para Nanda dizendo que precisava das coisas dela que ficaram no apartamento: “Não dá mais para compartilhar uma casa contigo!”

Nanda respondeu três dias depois dizendo que Dina não havia deixado nada no apartamento. Tudo que havia lá pertencia a ela. E que ela, Nanda, havia feito um boletim de ocorrência contra Dina.
Foi um choque. Por que a amiga a traiu com aquela denúncia falsa?

Toda vez que eu levei uma facada nas costas, minhas digitais estavam na faca, escreveu Jerry Harvey.
Era isso mesmo. Dina tinha culpa da traição. Tratou uma inimiga como se fosse amiga. Teve pena de quem a odiava.

O que fazer?

Passado o sentimento de traição, Dina resolveu fazer o que era certo. Pegou as notas fiscais de coisas que ela havia deixado na casa da Nanda, a viciada, foi a Polícia e fez um Boletim de Ocorrência e ainda a denunciou por venda de drogas ilícitas.

Feito o Boletim, ela mandou uma mensagem para a inimiga com cópia do boletim e a mensagem. “Devolva minhas coisas e não se admire se hoje ou amanhã a polícia estiver aí procurando por uma traficante.”

Depois de teretetês e choramingas, Nanda, a inimiga, devolveu tudo que Dina, a amiga justa havia deixado.

Custou, mas Dina menina entendeu: Se você não bate na sua inimiga, ela baterá em você.

Trata amigo como amigo e inimigo como inimigo, se você souber quem são seus amigos e inimigos [RS].

Quais as alternativas à reforma da Previdência de Temer?


1. Há muitas. Sugiro duas: 

  • Previdência transferirá para o Tesouro Nacional quaisquer benefícios pagos a quem não foi contribuinte do INSS ou não consegue provar que contribuiu para o INSS. 
  •  O Governo Federal desiste de tirar dinheiro da Seguridade Social para pagar Bancos, Empreiteiras, Frigoríficos que por acaso também são os principais financiadores de campanha.              
2. Quais benefícios o Governo Federal transferiu do Tesouro Nacional para a Previdência?
Entre outros:

i.                     APOSENTADORIA DOS BENEFÍCIOS ASSISTENCIAIS (Benefício de Prestação Continuada – BPC-LOAS), que é aposentadoria paga aos velhos que vivem na cidade para que não morram de fome.

ii.                   APOSENTADORIA DO TRABALHADOR RURAL. “Os pequenos produtores rurais recolhem, a título de contribuição previdenciária, o equivalente a 2,1% sobre a receita bruta da venda de sua produção. Quando não vendem, não precisam pagar nada.” (Estadão, 5.7.2016).

3. Quanto custa a aposentadoria pelo FUNRURAL?

                  Diz-se que a aposentadoria rural, benefício criado pelo Regime de 64, custa 100 bilhões de Reais por ano. Dizem também que o FUNRURAL é responsável pelo déficit da previdência (menos verdade!).

4. Por que o pequeno trabalhador rural não contribui?

                  Por que não tem donde tirar ou não consegue provar. Quando contribui, tem dificuldade de comprovar o trabalho no campo. Por isso, 30,2% das aposentadorias rurais são concedidas por força de decisão judicial.

                 Então, disse o ex-presidente Lula: O FUNRURAL é despesa do Tesouro Nacional e não da Previdência.

5. Quanto o governo quer tirar da Previdência para as despesas estranhas como pagamento de juros?

                 Cerca de 150 bilhões de Reais, usando a Desvinculação da Receita da União (Art. 76 da Constituição Federal). 

6. Como assim desvincular? 

                 As despesas públicas só podem ser feitas nas formas previstas em lei. Se o tributo foi criado para financiar a Seguridade Social, ele só pode pagar despesas da Seguridade Social.

7.       O que quer o governo Temer?

                 Ele quer usar uma parte da receita da Seguridade Social para pagar, por exemplo, despesas com bancos e juros da dívida. Esse procedimento chama DRU, Desvinculação da Receita da União.

8. Por que os partidos não protestam?

                Porque isso já foi feito antes. Até 2015, a União podia dispor de até 20% das receitas da União sem ter que respeitar os vínculos que a criaram a receita.

9. Quanto o governo anterior usou como quis das receitas da União? 

                Em 2015, a DRU permitiu que ao governo usasse livremente 20% de todos os impostos e contribuições sociais e econômicas federais. Segundo a lei orçamentária de 2015, isso foi R$ 121,7 bilhões. 

10.   A Desvinculação de 30% da Receita da União foi feita?

                 Sim. Congresso promulgou emenda que prorroga a DRU até 2023.

                 Essa medida autoriza o governo federal a usar livremente 30% o total de despesas livremente utilizadas (Veja a Tabela de Mudanças na Desvinculação das Receitas da União).

                Sem a Reforma da Previdência, a União deixa de dispor de cerca de 150 bilhões da Seguridade Social de reais para gastar com outros fins que não seja a Previdência e a Seguridade Social.

11. Que lei é essa?

               É a Emenda Constitucional nº 93, de 8 de Setembro de 2016, que passou a viger retroativamente desde 1º Janeiro de 2016.

12. O que diz a DRU?

             A DRU altera o art. 76 das Disposições Transitórias da Constituição Brasileira dando-lhe a seguinte redação que define a DRU.

Art. 76. São desvinculados de órgão, fundo ou despesa, até 31 de dezembro de 2023, 30% (trinta por cento) da arrecadação da União relativa às contribuições sociais, sem prejuízo do pagamento das despesas do Regime Geral da Previdência Social, às contribuições de intervenção no domínio econômico e às taxas, já instituídas ou que vierem a ser criadas até a referida data.

RESUMINDO: O governo quer fazer a Reforma da Previdência para tirar 30% da receita da:

i.                     Aposentadoria pelo INSS  via reforma da Previdência.
ii.                   Fundos de Desenvolvimento
iii.                  Taxas.


Pois a Previdência tem a maior receita da União e é superavitária. Se fosse deficitária, como ele iria desvincular (tirar) 150 bilhões de Reais?


segunda-feira, 13 de março de 2017


Saia do controle. Sirva e sua vida terá sentido

O que é uma crença?

É qualquer convicção que pode ser facilmente falsificada. Essas convicções existem em todo lugar. É muito apressado imaginar que as crenças são fenômenos religiosos.

Uma dessas crenças é pretensão de imaginar que a minha vida está em nossas mãos. Bobagem. Ninguém tem o controle da própria vida. Às vezes somos enganados pelas coincidências outras pela “racionalização dos resultados”.  

Conheci há muitos anos um homem que estabeleceu um plano bem precisa de sucesso. Entre os elementos desse plano, muitos eram flexíveis o suficiente para que ele imaginasse que estava no controle.

Outros elementos do plano eram bem precisos. A mulher com quem ele casaria tinha que ter certas características de personalidade, aparência e idade bem precisas, algumas incompatíveis com as características dele.

— Fracassou?

—  Não sei. Prefiro acreditar que não fracassou. 

Outro amigo, colega de trabalho, tinha sonhos para a vida dele. Sonhos não são a mesma coisa que planos. Um desses sonhos era poder clinicar sem se preocupar com a possibilidade de que o paciente tivesse dinheiro ou não.

Esse camarada era viúvo, 59 anos de idade, os filhos adultos, vida profissional invejável e formação acadêmica brilhante, porém, uma vida doméstica solitária e uma situação empresarial arruinada pela morte.

Para realizar esse sonho, ele foi trabalhar — ou servir como ele diria — numa comunidade de trabalhadores humildes próxima de Jardim Ângela, em São Paulo. 

Depois de um ano e meio nessa comunidade, ele se viu envolvido com os moradores do bairro como ela jamais imaginou: atendia no posto de saúde, participava da igreja local, tinha um apartamento no bairro, conhecia muita gente, e encontrou uma grande amiga no grupo de solteiros da igreja que era a auxiliar dele na clínica.

De repente percebeu que já não morava mais em Pinheiros e que o apartamento de quatro dormitórios que tinha estava quase abandonado. Não usava mais o carro blindado. Ia raramente à casa dos antigos colegas.

Não era aquilo que ele imaginava para a vida dele. A vida daquele homem tomou um rumo próprio.

Encontrei-o por acaso. Hoje ele tem 90 anos, uma aparência ótima. Casou com a amiga do grupo de solteiros e companheira de consultório, nascida ali na comunidade mesmo. Tiveram mais três filhos. Dirige um grupo de autoajuda, comprou uma frutaria e uma casa grande.

Perguntei: Como você conseguiu amigo? Você estava triste e insolvente quando veio para cá.

— Sei lá, professor. Eu vim aqui para servir. Era só um lugar para fazer coisas úteis e morrer, mas virou meu lar. Amo esse lugar.

E foi embora com o riso maravilhoso e o coração cheio de amor.


Quando ele saiu eu chorei silenciosamente pensando naquilo que ele me havia dito: “Eu vim aqui para servir”. O servo não está no controle, mas ele conseguiu tanto! Será que servir atribui sentido à vida? 

Jesus nos quer desarmados ou armados?

Muitos religiosos, fazendo um discurso politicamente correto, dirão que Ele nos quer desarmados. Mas não é verdade. Jesus nos quer arma...