Quando eu era muito jovem, ouvi uma prima
descrever nossa tia Linda como uma mulher cruel. Ela me contou que, quando
criança, telefonou algumas vezes para a tia Linda perguntando se poderia ir
nadar na piscina da casa dela.
— Claro que pode minha querida. Deixe-me
combinar isso com sua mãe. Passe o telefone para ela.
Depois que as duas conversaram, a mãe da
minha prima disse o seguinte às filhas:
— Queridas, sua tia lhes disse que vocês
poderiam passar o dia na piscina da casa dela, mas de fato, sua tia não queria
que vocês fossem. Ela só quis ser simpática. Enfim, ela disse sim para vocês e
não para mim, portanto, vocês não irão.
Mais tarde, conhecendo um pouco as personagens
desse episódio, passei a atribuir a maldade da tia Linda aqueles convites
falsos: “Crianças, venham para a piscina”. “Não quero as crianças aqui, minha
cunhada”.
Tia Linda era falsa e obscura. Depois de quatro filhos e 20 anos de
casada, ela se separou do marido e foi viver com outra mulher. Nunca mais a vi.
Hoje, passados quase 40 anos, eu já não
acredito em nenhuma daquelas três personagens. As três eram mulheres bonitas e cruéis.
Para controlar, elas faziam qualquer maldade.
Aprendi com elas que “O homem é a cabeça da
casa, e a mulher o pescoço”. O homem só pode ver aquilo que a mulher dele quiser.
Embora eu não acredite mais em nenhuma das
três personagens, tenho que reconhecer: elas são cruéis, mas não escondem as
garras. Infelizmente, os tolos não acreditam no que veem e ouvem.

