segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Pode-se ser órfão de mãe ou pai vivos?

Ela tem 43 anos, é gerente de um supermercado, tem um único filho de quatro anos nascido depois de muito esforço e idas e vindas a médicos.

No final de 2015, aquela mãe recebeu uma ligação do Colégio onde o filho passa o dia inteiro:

— Mãezinha, seu filho estava brincando e caiu. O ombro dele está bem edemaciado. O nosso enfermeiro imobilizou o braço de deu um analgésico. Você pode passar aqui para pegá-lo?

— Vou ver o que faço, respondeu a gerente.

Eram menos de 10 horas da manhã. E aquela mãe não tinha nenhuma intenção de sair do serviço para pegar o filho.

Ela, então, lembrou que tinha uma colega que morava bem perto da escola. Ligou para ela.

— Oi, mulher. Tudo bem? A funcionária do colégio do meu filho me ligou. Aquela chata disse que meu menino caiu no pátio. Eu pago todo o meu salário de babá e colégio caro, porque trabalho muito.

— Entendo, disse a colega.

— Você pode ir à escola e ver o que aconteceu? Meu marido está viajando.

— Logo que der certo, mulher, irei ver seu filho.

No início da noite a mãe gerente de supermercado chegou à escola para pegar o filho de quatro anos. Atrasada como sempre.

O menino chorava de dor. Então ela, logo que possível, o levou à emergência traumatológica. 

Diagnóstico: Luxação Acrômio-Clavicular, isto é rompimento de ligamentos do ombro e da capsula.


No dia seguinte, sob o efeito de anti-inflamatório o menino foi deixado na escola, como todos os dias, desde que ele tinha seis meses. Afinal, a mãe tinha que cuidar da carreira. E o pai estava viajando.

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