Tinha tudo para aquele ser
um voo muito tranquilo. Decolando de Vitória, no Espírito Santo, uma escala no
Rio e o destino: São Paulo. Todos os passageiros estavam silenciosos e
acomodados. Exceto pelas crianças, elas sempre pareciam mais barulhentas que o
normal.
Já estava na hora
certa de decolar. O comandante já começava a falar com todos, explicou as
condições do tempo e o tempo aproximado de viagem. A equipe já estava começando
a preparar a apresentação clássica sobre as máscaras de oxigênio e as poltronas
flutuantes. O avião começava a se movimentar lentamente buscando um melhor
posicionamento para decolagem.
Uma aeromoça com
batom muito lilás passava pelo corredor para checar se as janelas estavam abertas,
as poltronas na posição vertical e os cintos afivelados. Foi quando chegou nas
poltronas 6C e 6D e percebeu que uma criança não estava com o cinto afivelado.
Ela gentilmente sorriu e pediu para que o fizesse. O menino estava um pouco
entediado, como ficam todas as crianças, e a mãe um pouco impaciente, como
todas as mães.
O menino disse que
não faria o que a moça tão sorridente pedia.
Nesse momento a mãe
do menino tirava os fones de ouvido e tentava entender o que acontecia. Ela era
muito magra e arrumada de forma impecável. Disfarçava bem a idade, embora seus
lábios revelassem o Botox recém aplicado. O menino explicava para a mãe com um
tom manhoso que não queria usar o cinto. A moça explicava que era uma norma
importante para a segurança de todos.
Mas a mãe não queria
contrariar o menino.
A aeromoça resolveu
continuar seu trabalho e depois retornou àquela poltrona.
A situação era a
mesma: o menino reinava e a mãe pedia que deixassem ele sem cinto.
- Qual o problema? Não vai acontecer nada mesmo... Deixa o menino ficar como ele quer.
- Qual o problema? Não vai acontecer nada mesmo... Deixa o menino ficar como ele quer.
O avião estava
parado na posição de decolar e já começava a acelerar.
A aeromoça voltou
para sua poltrona onde já estavam os outros colegas, que já começavam a apagar
as luzes da cabine. Ela resolveu avisar ao comandante este caso do passageiro
menino que tinha sua vontade acima das normas. O comandante no fundo
acreditava, mas não queria acreditar.
- Atenção senhores
passageiros. Estamos preparados para decolar. Todas as condições são
favoráveis, exceto por um menino que está a bordo conosco e não aceita usar o
cinto de segurança. A sua mãe acredita que sua vontade deve ser respeitada. Por
isso, não podemos decolar. Sinto muito. Não apenas por este voo que não será
executado conforme o esperado, mas principalmente por perceber que jovens
mimados e imaturos tem mais poder do que as próprias normas que nos regem.
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