terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Olhe para o alvo e atire! Se desviar o olhar, fracassará.



Um grupo de cientista fez o seguinte experimento: Convidou pessoas diferentes para entrar na sala do experimento e atirar num enorme alvo.

Cada pessoa que participou do experimento teve os movimentos dos olhos monitorados.

Então, eles compararam o movimento dos olhos dos que erravam com o movimento dos que acertavam.

Os que erravam, antes de atirar, eles olhavam para vários lugares diferentes e atiravam.

Os que acertavam olhavam firmemente para o alvo, nem olhavam a arma, e atiravam.


Muitos dos nossos fracassos foram assim.  Olhamos muitas coisas e por muito tempo em vez de mirar o alvo em que desejávamos acertar.

OLHE PARA O ALVO. NÃO SE DEIXE DISTRAIR.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Seu namorado ainda tem fotos da ex-namorada na rede dele?


Perguntaram-me:

— Meu namorado ainda tem fotos da ex-namorada na rede dele. Que eu faço?

Essa pergunta me foi feita, claro que acompanhada de choro, pois quem perguntou estava sofrendo.

Eu respondi: 

—  Não olhe! 

— Eu tenho chorado muito. Conversei com meu psicólogo sobre isso. Ele me disse que era bobagem. Que eu tinha que parar com isso, disse-me ela. E eu sei que ele me ama, disse-me com convicção.

Esse nosso tempo pôs fim a privacidade. Todos nós somos narcisistas. Fazemos de tudo por um “like”, e gostamos de nos exibir.

Namorar é mais do que um relacionamento pessoal e encarnado. 

Namorar é mudar de status nas redes sociais.

Namorar é ter o que exibir e postar.

Namorar é parte do teatro de felicidade feita de diazepínicos e postagens cuidadosamente editas.

Nada mais narcísico que uma self.


Então, deixe seu namorado manter as fotos da Ex-GF na página dele. 

Vivemos num mundo em que ser feliz não importa.

O importante é estar bem nas redes sociais.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Meu filho manda. É o Reizinho da casa.


Tinha tudo para aquele ser um voo muito tranquilo. Decolando de Vitória, no Espírito Santo, uma escala no Rio e o destino: São Paulo. Todos os passageiros estavam silenciosos e acomodados. Exceto pelas crianças, elas sempre pareciam mais barulhentas que o normal.

Já estava na hora certa de decolar. O comandante já começava a falar com todos, explicou as condições do tempo e o tempo aproximado de viagem. A equipe já estava começando a preparar a apresentação clássica sobre as máscaras de oxigênio e as poltronas flutuantes. O avião começava a se movimentar lentamente buscando um melhor posicionamento para decolagem. 

Uma aeromoça com batom muito lilás passava pelo corredor para checar se as janelas estavam abertas, as poltronas na posição vertical e os cintos afivelados. Foi quando chegou nas poltronas 6C e 6D e percebeu que uma criança não estava com o cinto afivelado. Ela gentilmente sorriu e pediu para que o fizesse. O menino estava um pouco entediado, como ficam todas as crianças, e a mãe um pouco impaciente, como todas as mães.

O menino disse que não faria o que a moça tão sorridente pedia.

Nesse momento a mãe do menino tirava os fones de ouvido e tentava entender o que acontecia. Ela era muito magra e arrumada de forma impecável. Disfarçava bem a idade, embora seus lábios revelassem o Botox recém aplicado. O menino explicava para a mãe com um tom manhoso que não queria usar o cinto. A moça explicava que era uma norma importante para a segurança de todos. 

Mas a mãe não queria contrariar o menino.

A aeromoça resolveu continuar seu trabalho e depois retornou àquela poltrona. 
A situação era a mesma: o menino reinava e a mãe pedia que deixassem ele sem cinto. 

- Qual o problema? Não vai acontecer nada mesmo... Deixa o menino ficar como ele quer.

O avião estava parado na posição de decolar e já começava a acelerar. 
A aeromoça voltou para sua poltrona onde já estavam os outros colegas, que já começavam a apagar as luzes da cabine. Ela resolveu avisar ao comandante este caso do passageiro menino que tinha sua vontade acima das normas. O comandante no fundo acreditava, mas não queria acreditar.


- Atenção senhores passageiros. Estamos preparados para decolar. Todas as condições são favoráveis, exceto por um menino que está a bordo conosco e não aceita usar o cinto de segurança. A sua mãe acredita que sua vontade deve ser respeitada. Por isso, não podemos decolar. Sinto muito. Não apenas por este voo que não será executado conforme o esperado, mas principalmente por perceber que jovens mimados e imaturos tem mais poder do que as próprias normas que nos regem.

Dance, isso faz muito bem.

A vitrola

Na casa do meu pai havia uma vitrola portátil e vários discos. Alguns deles eram de tango. Meu pai e minha mãe gostavam especialmente de “Adios Muchachos”, gravado por Carlos Gardel.

Papai gostava de tocar aquele disco e de dançá-lo com minha mãe na sala da casa.

Era uma cena bonita de ver e de lembrar. O tango de Gardel é apressado, dramático, exagerado, principalmente em castelhano, língua que minha mãe amava.

O tango começa assim:

Adios muchachos, compañeros de mi vida,
Barra querida de aquellos tiempos
Me toca a mi hoy emprender la retirada,
Debo alejarme de mi buena muchachada.

Adios muchachos. ya me voy y me resigno
Contra el destino nadie la talla
Se terminaron para mi todas las farras,
Mi cuerpo enfermo no resiste más

Acuden a mi mente
Recuerdos de otros tiempos,
De los bellos momentos
Que antaño disfrute,
Cerquita de mi madre,
Santa viejita,
Y de mi noviecita
Que tanto idolatre

Se acuerdan que era hermosa,
Mas linda que una diosa
Y que, ebrio yo de amor,
Le di mi corazón?

Mas el señor, celoso
De sus encantos,
Hundiendome en el llanto,
Me la llevo

Es dios el juez supremo.
No hay quien se le resista.
Ya estoy acostumbrado
Su ley a respetar,
Pues mi vida deshizo
Con sus mandatos
Al robarme a mi madre
Y a mi novia también

Dos lagrimas sinceras
Derramo en mi partida
Por la barra querida
Que nunca me olvido.
Y al darle, mis amigos,
El adiós postrero,
Les doy con toda mi alma,
Mi bendición

Adios muchachos, compañeros de mi vida,
Barra querida de aquellos tiempos
Me toca a mi hoy emprender la retirada,

Debo alejarme de mi buena muchachada
Adios muchachos. ya me voy y me resigno
Contra el destino nadie la talla
Se terminaron para mi todas las farras,
Mi cuerpo enfermo no resiste más

Meu pai, eu preciso dizer que eu não guardo de ti qualquer mágoa. Não cultivo nem um único átomo de rancor ou outro sentimento deletério. Sei que tu foste o melhor pai que tu poderias ter sido. Sobre ti já lancei o meu perdão.

“Adios muchacho”.
  Adios Papá.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Porque eu fiquei feliz quando a sogra dele morreu.

(Essa é uma ficção. Qualquer semelhança com ocorrências reais é verossimilhança.)

Ariovaldo teve três filhos. Todos bem criados, bem sucedidos e poderosos. Nenhum deles tinha salário inferior a 20 salários mínimos. Algo por volta de 100 mil dólares americanos por ano. E todos os três eram autoridades constituídas por lei.

Na época que Ariovaldo entrou para a turma, ele era aposentado, tinha 63 anos e recebia por volta de 35 mil dólares por ano. Mesmo assim, ele pagava pensão alimentícia para o filho mais novo. Salvo erro de memória, na época esse filho era promotor de justiça.

Ariovaldo era uma vítima de Alienação Parental. Iludido, ele acreditava que se não brigasse com os filhos, teria o amor deles. Ledo engano. Os filhos odiavam aquele pai. A Síndrome da Alienação Parental (SAP) é, em princípio, instalada para a vida toda do filho.

A vida é engraçada. Ariovaldo conheceu uma divorciada. Mulher madura, que casou tarde e fez todos os tratamentos disponíveis para engravidar. Não engravidou e se divorciou do primeiro marido. Ele gostou dela e não queria ter outros filhos. Casaram-se.

A mulher de Ariovaldo, presumida estéril, engravidou. Aos 65 anos, Ariovaldo era pai novamente. Foi muito bom. Ele tinha muito tempo. E havia muito amor nele. Cuidava desse filho com muito carinho. Levava-o à escola, ao futebol, à aula de inglês. Ensinava as tarefas de casa.

Um dia chegou ao colégio desse filho mais novo muito abatido. A segunda mulher dele estava com câncer. Os amigos compadeceram-se e disseram o óbvio: hoje há muitos procedimentos capazes de tratar um câncer.

O tempo passou. A mulher dele fez a cirurgia. E não se falou mais nisso. Com os amigos, o assunto era o América, time do coração dele. Time ao qual serviu e pelo qual morria de amor.

Mais ou menos dois anos depois da cirurgia de câncer bem sucedida, o bem-humorado Ariovaldo chega à roda de amigos visivelmente triste. A sogra dele havia morrido. Ele gostava dela. Era uma velha simpática, solícita e instruída. Mas a tristeza, desta vez, não contaminou os amigos.

Ao contrário, viram-se risinhos mal disfarçados naquela roda de conversar. Estranho? Não. Para os amigos não. Havia uma coisa que Ariovaldo não sabia. Com a iminência de morte da mulher dele, um plano cruel foi posto em andamento.

Que plano sinistro era esse?

A mulher dele, Silvânia, estava preparando e instruindo a mãe dela e sogra de Ariovaldo para, no caso dela vir a falecer, ela pediria a guarda do filho mais novo de Ariovaldo. Tudo estava arrumado. Ariovaldo não poderia ficar com a guarda do quarto filho.

Que sina. Uma vítima de Alienação Parental seria vítima novamente. E o pior. Ele nem sabia do que estava acontecendo.


Pois é. Mas a morte veio em socorro daquele pai tão sofrido. E levou a sogra dele, personagem central na macabra trama de Alienação Parental. Ao contrário do iludido Ariovaldo, os amigos sabiam desse plano de pedido de guarda, por isso não esconderam a felicidade quando ele disse que a sobra havia morrido.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Afinal, o que é amor?

Afinal, o que é amor?

Sem saber o que é amor, caminha-se rumo ao desconhecido. As palavras têm o poder. Elas tornam visível o que antes era invisível.

Em língua portuguesa, amor é uma palavra confusa. Mas o grego antigo pode nos ajudar, pois sem palavras não tomamos posse das coisas.

1. Amor pode se “porneia”, amor libertino, carnal.

2. Amor “éros” (ἔρως), nesse caso, há sexo e outras emoções, por exemplo, o romance.

3. Amor “ágape” (ἀγάπη), amor pelo próximo. Freud chamou de “amor oceânico”.

4. Amor “philia” (φιλíα) aparece na Ética a Nicômaco de Aristóteles seria admiração.

Mas o grego antigo de Aristóteles deixa de fora outras emoções também chamadas de amor, a “paixão”, por exemplo.

Paixão, escreve Houaiss, vem do latim tardio de  “passìo, passiónis” paixão, passividade; sofrimento. Paixão é uma forma doença. Há psicanalistas que dizem que paixão na vida adulta é um sintoma ruim.

5. A paixão é comparada ao fogo de palha: arde muito e dura pouco. A paixão tende a se dissolver com a conquista.

Paciência vem do latim  patiéns “aquele que suporta, resiste, aguenta, sofrer (cf. Houaiss, 2001).

A palavra grega pathos, “sentimento” deu origem a patologia e a paciente, doente, pessoa que precisa ser tratada de alguma doença.

Aliás, doente é paciente.

Há quem se refira a obsessão como uma figura do amor.

6. Obsessão era vista como um demônio atormente o espírito; compulsão. A neurose obsessivo-compulsiva se manifesta como ação de molestar com pedidos insistentes; impertinência, perseguição, vexação. Veio do lat. “obsessìo, obsessiónis, é assédio, cerco, bloqueio (cf. Houaiss, 2001).

Veja o que escrevem os psicanalistas Roudnesco e Plon (2012).


“Na melancolia e na neurose obsessiva, o sentimento de culpa persiste e corresponde ao que chamamos ‘consciência moral’. Em ambos os casos, o ideal do eu investe contra o eu com rara ferocidade, mas as formas dessa severidade e as respostas do eu são diferentes. Na neurose obsessiva, o paciente recusa sua culpa e pede ajuda. Confrontado com uma aliança entre o supereu e o isso, desconhece as razões da repressão de que é vítima. Na melancolia, o eu se reconhece culpado e podemos formular a hipótese de que o objeto da culpa já está no eu, como produto da identificação”.

Se você não fala com seu pai, sabe que é “alienação parental”?

Não é fácil. Há duas coisas que têm que ser feitas:

Entender o que é alienação parental. Isso é fácil.

Admir que sua mãe ou sua avozinha mentiu para você, isso é quase impossível.

Comecemos pelo mais fácil.

O Brasil adotou a seguinte definição legal:


[...]

Art. 2o  Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este. 

Parágrafo único.  São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxílio de terceiros:

I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; 

II - dificultar o exercício da autoridade parental; 

III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; 

IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; 

V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço; 

VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente; 

VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós. 

Em Portugal, a definição de Alienação Parental ainda carece de jurisprudência,

CITIUS define-a nos seguintes moldes:,

“Consiste, genericamente, numa campanha de difamação injustificada contra um dos progenitores visando afastar e/ou exclui-lo da presença, educação e afectos do seu próprio filho.”

“Sendo uma forma de maltrato da criança, traduz-se ainda num abuso emocional e/ou psicológico, com implicações graves a curto, médio e longo prazo para a criança envolvida"

“ Trata-se de uma realidade vivida em muitas situações de litígio, e tem sido uma temática bastante discutida entre profissionais de saúde, sendo reconhecida de forma crescente entre profissionais da área do direito devido às consequências dramáticas para todos os intervenientes e, em particular para a criança envolvida”. 



Há “cura” para alienação parental?

Em princípio, não há cura para alienação parental. Ou é muito complicado, pois implica aceitar que a própria mãe, avó ou tia fofinha mentiu e te enganou com o propósito de te afastar do teu pai. Sua reação é naturamente imaginar a alienadora como um amor de pessoa.

— Minha mãe, nunca me faria mal. Ela me ama. O amor da minha mãe é o único amor verdadeiro da minha vida. 

— Minha avó é linda, uma santa. Ela não seria capaz de fazer mal a ninguém. Aqueles olhinhos lindos não veem maldade no mundo. 

— Minha tia é uma serva do SENHOR. Ela faz parte do grupo de oração da minha igreja. Ela sempre me trata com muito carinho.

Mas há exceções. Há fofinhas terríveis. E há pessoas que mesmo tardiamente descobrem que existe um demônio morando naquela fofura que é sua alienadora. Eu conheci quem entendesse o que escrevo aqui.

Faz dois anos. Eu entrei no hospital para fazer uma cirurgia de emergência. A empresa, antes do “check-in”, obrigava os pacientes a passar pela triagem de enfermeiras experientes e treinadas para cuidar. Eu também passei pela triagem.

Depois das perguntas protocolares, a enfermeira olhou para os meus cabelos brancos e me fez uma pergunta fora de quadro. Não lembro qual foi ou qual foi minha resposta. Lembro-me do espanto dela. 

Em seguida, perguntou se poderia falar de uma coisa pessoal comigo. Eu disse que sim. E ela me contou que tinha um filho pequeno e que nessa fase da vida, aos 36 anos, descobriu que era vítima de alienação parental.

Os relatos eram tristes e eu não posso nem quero reproduzi-los. De tudo que ela me disse, duma coisa lembro bem. Ela disse ao pai dela que lembrava que ele havia feito uma coisa que a deixara muito magoada. E descreveu a mágua.

O pai respondeu: 

— Não é possível, filha, nessa época eu estava fora. Eu não tinha contato pessoal contigo.

Então, ela me perguntou:

— Como pode. Eu me lembro de detalhes daquele acontecimento impossível?

E respondi:

— Não é complicado. O aprendizado e a memória envolvem as mesmas áreas do cérebro humano. Formam-se de modo semelhante. Há várias coisas que pensamos que são lembranças, mas são aprendidas. A frase-chave é: “Filha, você se lembra do dia que...”


Fiz a cirurgia. O pós-anestésico foi horroroso. E aquela mulher olhava aliviada para o passado. Confusa, mas aliviada.

Teu namorado ainda tem fotos da ex-namorada na rede dele

Meu namorado ainda tem fotos da ex-namorada na rede dele. Que eu faço?

Essa pergunta me foi feita, claro que acompanhada de choro, pois quem perguntou estava sofrendo.

Eu respondi: Não olha!

— Eu tenho chorado muito. Conversei com meu psicólogo sobre isso. Ele me disse que era bobagem. Que eu tinha que parar com isso, disse-me ela. E eu sei que ele me ama.

Esse nosso tempo pôs fim a privacidade. Todos nós somos narcisistas. Fazemos de tudo por um “like”, e gostamos de nos exibir.

Namorar é mais do que um relacionamento pessoal e encarnado.  

Namorar é mudar de status nas redes sociais.

Namorar é ter o que exibir e postar.

Namorar é parte do teatro de felicidade feita de diazepínicos e postagens cuidadosamente editas.

Nada mais narcísico que uma self.



Então, deixe seu namorado manter as fotos da Ex-GF na página dele. 

Por que eles têm cachorro e não têm filhos?

Na minha cidade há um grande parque bem no centro. Gosto de ir lá com meus pequenos. Sempre gostei da companhia de todos os meus seis filhos. Sempre.

Por mais de uma vez notei que os donos de cachorro frequentavam uma área específica do parque. Eu gosto de cachorro, então, passei a observar os donos de cães.

Eles se reúnem, soltam seus animais e se socializam.

Quem se socializa?

Os donos dos cães e os bichos. Ficam numa roda. Fazem uma festa.

E a mãe ou pai que leva seu miúdo ao parque, conversa com outros pais e mães?

Não! Nem pensar! Se tentares, te envergonharás.

O que será que acontece na mente de uma mãe ou pai que não acontece com os donos de cachorro.

Disse-me um aluno de Psicologia:

— Professor, tu se queres chegar a tua casa e encontrar alguém feliz, compre um cachorro. Os humanos são muito chatos.

Então, por que os donos de cachorro conversam tão alegremente uns com os outros?


Vou pergunta-los, logo que der certo.

Existe bullying na universidade privada?

Existe. 

Uma estudante universitária me contou que a professora dela teve um acesso de raiva e escreveu num papel: H2O. Virou para ela e perguntou vociferando:

— O que é isso?

— Água, respondeu a aluna.

— Então beba idiota!

Vivemos um tempo em que há cada vez mais pessoas que acham bonito ser grossas. Pratica-se bullying e assédio moral com muita facilidade em ambientes impensáveis como dentro de casa ou em universidades.


O pior é ver que a impunidade não é privilégio dos corruptos e corruptores. Os outros crimes e contravenções também permanecem impunes. E os chefes, professores e outros atores sociais em posição de mando continuam a fazer crueldades impunemente.

Pode-se ser órfão de mãe ou pai vivos?

Ela tem 43 anos, é gerente de um supermercado, tem um único filho de quatro anos nascido depois de muito esforço e idas e vindas a médicos.

No final de 2015, aquela mãe recebeu uma ligação do Colégio onde o filho passa o dia inteiro:

— Mãezinha, seu filho estava brincando e caiu. O ombro dele está bem edemaciado. O nosso enfermeiro imobilizou o braço de deu um analgésico. Você pode passar aqui para pegá-lo?

— Vou ver o que faço, respondeu a gerente.

Eram menos de 10 horas da manhã. E aquela mãe não tinha nenhuma intenção de sair do serviço para pegar o filho.

Ela, então, lembrou que tinha uma colega que morava bem perto da escola. Ligou para ela.

— Oi, mulher. Tudo bem? A funcionária do colégio do meu filho me ligou. Aquela chata disse que meu menino caiu no pátio. Eu pago todo o meu salário de babá e colégio caro, porque trabalho muito.

— Entendo, disse a colega.

— Você pode ir à escola e ver o que aconteceu? Meu marido está viajando.

— Logo que der certo, mulher, irei ver seu filho.

No início da noite a mãe gerente de supermercado chegou à escola para pegar o filho de quatro anos. Atrasada como sempre.

O menino chorava de dor. Então ela, logo que possível, o levou à emergência traumatológica. 

Diagnóstico: Luxação Acrômio-Clavicular, isto é rompimento de ligamentos do ombro e da capsula.


No dia seguinte, sob o efeito de anti-inflamatório o menino foi deixado na escola, como todos os dias, desde que ele tinha seis meses. Afinal, a mãe tinha que cuidar da carreira. E o pai estava viajando.

Como se guarda alimentos?

O dispensário de alimentos deve ser um local limpo, higienizado, ventilado, seco, sombreado e separados em porções. 

Alimentos porcionados devem estar em utensílios exclusivos, higienizados e fechados adequadamente.

Alimentos industrializados, conservas, enlatados ou embutidos deve ser afastados de grãos e cereais para evitar infestação por insetos.

Alimentos mais velhos não vencidos, e alimentos abertos ficam a frente para ser consumidos logo.

Objetos descartáveis não podem ficar juntos de alimentos.

Embalagens abertas ou danificadas devem ser substituídas recipientes adequados de plástico. Esses recipientes serão lavados e desinfetados ou use embalados em plástico transparente e etiquetados.

Empilhamento deve ser alinhado e em altura que não prejudique as características do produto. As pilhas devem ser organizadas em forma de cruz para favorecer a circulação de ar entre os produtos e evitar acidentes.

As estantes de alimentos devem estar afastados 10 cm da parede, 25 com do chão e 60 cm do teto, para permitir a circulação de ar entre os alimentos.

As embalagens de todos os produtos devem ter identificação com etiquetas.

As etiquetas dos alimentos devem informar Nome, Marca, Fabricante, Data de fabricação, Prazo de validade, Composição do produto, Registro em órgão competente.

Grão não podem ficar em embalagem violável como sacos tecidos.

Produtos de limpeza, higiene e outros produtos químicos não podem ficar juntos com alimentos. Eles exalam gases e odores.

Toda mercadoria deve ser retirada da embalagem secundária, como caixas de papelão ou sacos de papel.

A validade do produto corretamente embalado é a mesma prescrita pelo fabricante ou até trinta dias, o que ocorrer primeiro.

Vidros não dever guardados “cabeça para baixo”, pois enferrujam, mesmo que a oxidação não seja visível.

Não pode haver no dispensário de alimentos.
  1. Caixas de madeira, papelão, papel ou outra embalagem orgânica não pode ficar no dispensário de alimentação.
  2. Janelas não teladas para que se impeça a entrada de insetos.
  3. Material fora de uso e embalagem devem ser descartadas, inclusive estrados de madeira, devem ser retirados do dispensário para evitar insetos, roedores e pássaros.
  4. Resíduos de qualquer natureza devem ser retirados.


Seu filho bate na babá?

Chama-me atenção uma babá que leva duas crianças pequenas para a aula. Uma delas ainda vem no carrinho de bebê. A outra vem andando segurando na babá.

Por duas horas, a babá fica junto daquelas crianças. O mais velho é um menino, uma peste de cinco anos. O instrutor dele já o colocou fora do grupo mais de uma vez. Ele não respeita ninguém.

Quando contrariado, ele agride quem tiver perto, geralmente a babá. Ele bate no rosto dela, chuta e humilha.

O mais impressionante é ver a apatia das pessoas em volta, inclusive eu. Ninguém diz nada. Ninguém censura aquele fedelho. Impressionante!

Parece que vivemos numa sociedade do individualismo absoluto: Ninguém toma uma atitude.
Há um provérbio inglês que diz: Você nunca irá arar um campo se você só fizer isso na sua mente. (“You will never plough a field if you only turn it over in your mind.”)

Ou seja, é preciso agir para que as coisas melhorem. Elas não vão melhorar apenas porque pensamos na melhora.


Como ninguém faz nada, pois essa é a nossa tradição permissiva, o que se pode esperar de um garoto de cinco anos que já bate impunimente em mulher?

Jesus nos quer desarmados ou armados?

Muitos religiosos, fazendo um discurso politicamente correto, dirão que Ele nos quer desarmados. Mas não é verdade. Jesus nos quer arma...