Afinal, o que é amor?
Sem saber o que é amor, caminha-se rumo ao desconhecido. As
palavras têm o poder. Elas tornam visível o que antes era invisível.
Em língua portuguesa, amor é uma palavra confusa. Mas o
grego antigo pode nos ajudar, pois sem palavras não tomamos posse das coisas.
1. Amor pode
se “porneia”, amor libertino, carnal.
2. Amor “éros”
(ἔρως), nesse caso, há sexo e outras emoções, por exemplo, o romance.
3. Amor “ágape”
(ἀγάπη), amor pelo próximo. Freud chamou de “amor oceânico”.
4. Amor “philia”
(φιλíα) aparece na Ética a Nicômaco de Aristóteles seria admiração.
Mas o grego antigo de Aristóteles deixa de fora outras emoções
também chamadas de amor, a “paixão”, por exemplo.
Paixão, escreve Houaiss, vem do latim tardio de “passìo, passiónis” paixão,
passividade; sofrimento. Paixão é uma forma doença. Há psicanalistas que dizem
que paixão na vida adulta é um sintoma ruim.
5. A paixão é
comparada ao fogo de palha: arde muito e dura pouco. A paixão tende a se
dissolver com a conquista.
Paciência vem do latim patiéns “aquele que suporta,
resiste, aguenta, sofrer (cf. Houaiss, 2001).
A palavra grega pathos, “sentimento” deu origem a
patologia e a paciente, doente, pessoa que precisa ser tratada de alguma
doença.
Aliás, doente é paciente.
Há quem se refira a obsessão como uma figura do amor.
6. Obsessão
era vista como um demônio atormente o espírito; compulsão. A neurose obsessivo-compulsiva
se manifesta como ação de molestar com pedidos insistentes; impertinência,
perseguição, vexação. Veio do lat. “obsessìo, obsessiónis, é assédio, cerco,
bloqueio (cf. Houaiss, 2001).
Veja o que escrevem os psicanalistas Roudnesco e Plon
(2012).
“Na melancolia e na neurose
obsessiva, o sentimento de culpa persiste e corresponde ao que chamamos ‘consciência
moral’. Em ambos os casos, o ideal do eu investe contra o eu com rara ferocidade,
mas as formas dessa severidade e as respostas do eu são diferentes. Na neurose obsessiva,
o paciente recusa sua culpa e pede ajuda. Confrontado com uma aliança entre o supereu
e o isso, desconhece as razões da repressão de que é vítima. Na melancolia, o
eu se reconhece culpado e podemos formular a hipótese de que o objeto da culpa
já está no eu, como produto da identificação”.