sábado, 28 de outubro de 2017

O ódio é uma paixão


Filho, eu tenho muito medo de odiar. O ódio é uma criatura estranha com enorme capacidade de invadir o corpo humano.

O ódio tem garras longas capazes de se agarrarem à alma e ao coração. Como um vírus alienígena, ele se reproduz a partir de qualquer fragmento que circular pelo sangue do seu hospedeiro.

O ódio é um velho ranzinza, doente, chato, baixinho, feio, mal-humorado e alimenta-se da vida alheia. 

Diziam os nossos sábios que o ódio é uma mancha definitiva na alma. De tão pesado, ele vai para a cova do insurreto que o abriga.

― Mas o que há de bom em ser odiado, papai?

― Quase nada, filho. Apenas um fragmento da bondade ficou nele: ele é para sempre, nunca acaba. Quisera eu que o amor fosse assim...

― O que há de bom nisso, papai?

― Quem odeia, filho, nunca esquece o ser odiado, pois o ódio é uma paixão (latim passio, passoinis, .ação de suportar, .ação de sofrer), uma doença. A gratidão, ao contrario, faz bem a saúde de quem diz “agradeço”. Agradecer é uma bênção. Por tudo se deve agradecer, mesmo pelo não-sei-o-quê.

― Por tudo, papai?

― Por tudo, filho, pois faz bem. Agradecer desobstrui, poupa dinheiro, desemprega um analista, um médio e duas assistentes sociais.

― Duas assistentes sociais?

― Sim, filho, pois a gratidão é um bem dos homens abastados. Os pobres de espírito não são gratos, por definição.

Amor maternal não é sinônimo de amor de mãe.


Quando eu era bem jovem, descobri que no mundo animal não é raro uma mãe abandonar um filho.

O que para mim foi um surpresa fez meu pai rir.

― Meu filho, na propriedade de meus pais, em Soure, uma das tarefas das crianças era alimentar os borregos que foram rejeitados pelas mães ao nascer.

Pois é, nem todas as mães amam. Uau! Eu tive sorte. Minha mãe amava os filhos dela e o demonstrou com ações muitas vezes.

A pergunta, então, é: Pode-se aprender a amar?

Não sei. O que aprendi no meu trabalho de professor foi que o ensinado não é automaticamente aprendido, e isso não é em princípio bom ou ruim.

Aqui em Portugal, uma mãe que perdeu a guarda de três filhos por desídia foi condenada a fazer um “treino parental”. Se eu entendi, ensinarão aquela mulher a amar ou cuidar dos filhos (cf. JN 28/10/2017).

Mas ela aprenderá o que lhe será ensinado?

Eu prefiro acreditar que aquela mãe aprenderá com o “treino parental”. Mas haveria quem discordasse de mim.


O professor Urbano Rodríguez de saudosa memória gostava de repetir um antigo provérbio mulçumano que penso que era assim:

― "Se puede llevar un camello al pozo, pero no se puede obligar a beber".

[“Pode-se levar o camelo ao poço, mas não se lhe pode obrigar a beber”}. Ou seja, nem sempre se aprende o que foi ensinado.

Todavia, há mulheres capazes de amar o filho de uma fêmea de outra espécie. Fantático!

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Amar é ver cores onde elas não existem.


Esther tinha 12 anos quando, muito séria, perguntou:

― Vovó, o que é amar?

― Amar é ver cores onde elas não existem. Amar é olhar para aquela pessoa especial e vê-la colorida, enquanto o resto do mundo ficou preto e branco.


― ❤ Pensei que o nome disso fosse desmaio ou daltonismo, disse a mãe.

"Who hope get tired. Faça alguma coisa. Quem espera sempre cansa.


Foi terrível!

Durante quase duas noites frias, aquele jovem viu seu melhor amigo sofrer dentro de um buraco no deserto.

Febre. Dor. Sangue por todo lado. Choro. Tudo era insuportável.

Ardendo em febre, o amigo pedia que terminasse aquilo. Ele queria morrer.

Jon-Jon reuniu todas suas forças e matou o amigo com um canivete que havia ganho dele.

Passada algumas horas. A polícia encontrou Jon-Jon chorando sobre o cadáver do amigo.

O que Jon-Jon não sabia era que a estrada estava a dez minutos dali.

Desesperado, Jon-Jon apenas repetia:

― "Who hope get tired. [Quem espera sempre cansa.]

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Não chores por ele ― Do not cry for him.


Muitas vezes na minha vida vivi a experiência de ser ridículo.

Um dia, perguntei a uma colega:

― Quando seu bebê nascerá?

Ela não estava prenhe. A gorda tinha uma bela barriga. Foi horrível. Fiz de tudo para não mais encontrá-la.

Noutra vez, vi minha professora de língua inglesa cabisbaixa, com uma face triste e algum soluço. Haviam me dito que o relacionamento dela havia terminado há pouco tempo.

Era uma cena estranha. Aquela irlandesa parecia viver apenas para o trabalho e a carreira. Vê-la chorar era inusitado.

Eu e outros homens igualmente idiotas frequentemente nos comovemos com o choro feminino. E para consolá-la, disse-lhe:

“Don’t cry for him! You have your career”.

Eu fui novamente ridículo. Na verdade, ela havia sido demitida. 

Qual a diferença entre um encontro e amor, vovó?

Alicinha, minha prima querida tinha apena 11 anos quando perguntou a avó:

― Qual a diferença entre um encontro e amor, vovó?

― Querida, quando um jovem rico e bonito convida uma mulher para jantar. Leva essa moça ao melhor restaurante da cidade a bordo de uma belo carro. Abre uma garrafa de chamagne Moët & Chandon. Pede a melhor comida da casa. Depois, leva a moça a um local requintado onde o casal passa uma noite louca. E antes de adormecer, dá-lhe de presente uma pulseira de ouro e brilhantes. Isso é um encontro, querida.

― E o amor, vovó?


― Amor é bobagem que o pobre inventou para dormir com uma mulher.


sábado, 21 de outubro de 2017

Para Eva, o que é amor? E para Adam Juergen? ― "Freund, das ist Liebe".



Eva nasceu numa família de sírios que viviam no Norte do Brasil. Na Áustria, quando fazia doutorado, conheceu Adam Juergen, um alemão com quem foi casada por mais de 10 anos.

Infelizmente, eles tinham uma dificuldade intransponível: o sonho de Juergen era casar-se com uma mulher que ele amasse (Isso ele conseguiu!) e que ela o amasse também, este foi o problema.

Eu achava que Eva amava Juergen. Eu, aliás, não tinha dúvidas desse amor. Ele tinha muitas dúvidas. Então, encharcados de cerveja, um dia conversamos sobre esse amor.

― Juergen, Eva te ama. Você sabia?

― Não ama. Ela nunca me disse “eu te amo” sem que eu insistisse.

― Juergen, Eva é minha amiga desse os 4 anos de idade. Para ela, amor é compromisso e não um sentimento.

― Para mim amor é sinônimo de paixão. Amar faz ferver o sangue. Você não entende isso porque é racional demais [um chato].

― Juergen, para Eva amar é cuidar, é estar perto, é estar disposta, entende-me?

― Eu aprendi português lendo uma tradução do Os Sofrimentos do Jovem Werther, aquilo é amor!

― Juergen, aquilo é paixão impossível, é obsessão. Eva aprendeu a língua alemã circulando nas ruas Viena, conversando contigo. Amor, para ela é fazer companhia, andar juntos por aí. "Freund, das ist Liebe".

― Não concordo consigo.

― Juergen, entenda uma coisa: sua mulher Eva não entende essas suas fantasias românticas. Para ela o amor é uma experiência venusiana . Para ti, meu amigo querido, é um sentimento marciano. 


Ainda hoje lembro muito bem dessa conversa. Lembro que Eva usava uma sapatilha cor-de-rosa ridícula. Adam Juergen, sentado a minha frente usava um agasalho quadriculado de flanela, estava frio. Foi a última vez que os vi juntos. Que pena...

[Para meu amigo Ronaldo.]

domingo, 15 de outubro de 2017

Ela rezava, mas não acreditava em D-us.


Um dia uma professora doutora chegou à minha sala precisando falar. Às vezes as pessoas somente querem falar e/ou sentir que a voz delas repercute, sensibilizam.

Nesse dia, minha sala ouviu uma história linda!

A doutora me contou que não acreditava em D-us, entretanto, disse-me:

― “Eu rezo com meus filhos todas as noites”.

Não há muita razão para uma pessoa, seja homem ou mulher, que tem juventude, beleza, dinheiro e saúde acredite em D-us. Parece que ter sorte de ter o que tem é o suficiente.

Note, eu falei TEM juventude, pois a juventude passa. TEM beleza, essa passa ainda mais rápida. TEM dinheiro, isso é uma ilusão. Pode-se perdê-lo em minutos! TEM saúde. Ora, ter saúde é condição “sine qua” para morrer ou adoecer.

― O que há de bonito nessa história?

A doutora sentada a minha frente não sabia a diferença entre ter uma experiência com D-us e, portanto, confiança e ter fé. Fé é diferente de confiança.

―A fé diz: Eu acredito no amor.

― A confiança diz: “Eu já vivi uma experiência amorosa. O amor existe”.

OU

― Eu já senti a presença de d’Ele na minha vida. D-us existe.


Isso não é fé. Isso é confiança. Mesmo assim devo dizer, obrigado professora, por orar com seus filhos.

sábado, 14 de outubro de 2017

O tolo e o dinheiro são desafetos, logo se separam.

No grupo de trabalho havia 12 pessoas, todas do mesmo bom nível. Todos recebiam os mesmos rendimentos.

Passados três anos, surpresas:

  •  Oito deles haviam consumido todo o dinheiro que ganharam com bens não duráveis. Não tinha dinheiro nem deviam muito.
  • Dois haviam construído suas casas com o dinheiro ganho durante aqueles três anos.
  • Um estava completamente endividado, tão endividado que se tornou "depositário infiel".

― Por que um deles ficou endividado?

Ele era o mais inteligente, bem humorado, trabalhador. Tinha muita sorte. Ganhou nesse tempo um bom dinheiro num sorteio.

Honestamente, não sei por que ficou endividado. Acho que ganhava com inteligência e gestava como um tolo.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Quem é o culpado pelo fracasso duma empresa? O "big boss", claro


Em qualquer empresa os donos não as pessoas que mais ameaçam a sobrevivência de um negócio. 

Infelizmente não amamos ninguém como amamos a nós mesmos e, facilmente, apontamos um culpado e nos perdoamos.

Um homem de negócio planejou uma aposentadoria tranquila. Ele construiu duas dúzias de lojas num corredor comercial importante da cidade em que morava.

Os aluguéis (arrendamentos) lhe davam 30 mil euros de renda mensal ou uma vida confortável em qualquer cidade do mundo.

Certo dia, ele resolveu fazer um contrato arriscado e ambicioso e entregou o terreno onde estavam as lojas nessa operação comercial. Perdeu tudo no negócio. Ficou apenas com a casa onde habitava.

Poderia ficar pior e ficou. Sem dinheiro, não conseguiu pagar a pensão que devia a ex-mulher que, de imediato, pediu a prisão dele por dívida de pensão alimentícia.

Conheci-o preso, pobre, desesperado e, por ambição, causador primário da própria desgraça. Entretanto ele dizia que o culpado era o outro. Ele não aprendeu a lição:

― Quem é o culpado pelo fracasso duma empresa?

― O dono da empresa.

Jesus nos quer desarmados ou armados?

Muitos religiosos, fazendo um discurso politicamente correto, dirão que Ele nos quer desarmados. Mas não é verdade. Jesus nos quer arma...