sábado, 8 de julho de 2017

O Frigobar


A casa era pequena, um pouco acanhada, mas ele estava feliz. Era dele, com o tempo melhoraria.

Quase não tinha móveis. Aos poucos ganhou alguns: um sofá de dois lugares, uma mesa de cozinha, 4 cadeiras. Tudo usado, tudo de boa qualidade.

A cama de casal ainda estava improvisada. Era um sofá-cama um pouco desconfortável. Foi o que deu para comprar. Os lençóis bem novinhos e cheirosos. Travesseiros novos. Um ventilador. Estava bem.

Não havia uma geladeira. Na casa da ex-mulher havia uma geladeira nova e dois frigobares. Bem que ela poderia dar um frigobar. Tinha dois!

Ligou. Brigou e conseguiu que ela cedesse de má vontade uma geladeira de quarto que era usada apenas para guardar meias de seda.

Dois ou três dias depois, o frigobar chegou. Vinha de muito perto, do bairro vizinho. Demorou, não sei por quê.

Recebeu o frigobar muito contente. Limpou. Lustrou e ligou. Foi nesse momento que ele descobriu: a Medéia havia quebrado a porta do frigobar antes de enviá-lo. Pura maldade.


Ele foi ao quintal onde havia uma lata. Encheu-a de areia e usou-a como peso para prender a porta. Se o compressor estivesse funcionando, seria ótimo. Haveria onde conservar os alimentos.

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