A casa era pequena, um pouco acanhada, mas ele estava feliz.
Era dele, com o tempo melhoraria.
Quase não tinha móveis. Aos poucos ganhou alguns: um sofá de
dois lugares, uma mesa de cozinha, 4 cadeiras. Tudo usado, tudo de boa
qualidade.
A cama de casal ainda estava improvisada. Era um sofá-cama
um pouco desconfortável. Foi o que deu para comprar. Os lençóis bem novinhos e
cheirosos. Travesseiros novos. Um ventilador. Estava bem.
Não havia uma geladeira. Na casa da ex-mulher havia uma
geladeira nova e dois frigobares. Bem que ela poderia dar um frigobar. Tinha
dois!
Ligou. Brigou e conseguiu que ela cedesse de má vontade uma geladeira de
quarto que era usada apenas para guardar meias de seda.
Dois ou três dias depois, o frigobar chegou. Vinha de muito
perto, do bairro vizinho. Demorou, não sei por quê.
Recebeu o frigobar muito contente. Limpou. Lustrou e ligou. Foi nesse
momento que ele descobriu: a Medéia havia quebrado a porta do frigobar antes de
enviá-lo. Pura maldade.
Ele foi ao quintal onde havia uma lata. Encheu-a de areia e
usou-a como peso para prender a porta. Se o compressor estivesse funcionando,
seria ótimo. Haveria onde conservar os alimentos.

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