A viagem estava próxima. Havia chegado a hora de aparta-se
de coisas de que ele gostava muito: os livros, a coleção de moedas, selos,
algumas ferramentas e os canivetes. Eram apenas quatro, mas muito estimados.
Houve coisas que ficaram. Outras foram vendidas e outras
vieram com a mudança. Os canivetes, esses não podem mais viajar de avião desde
os eventos em Nova Iorque de 11 de Setembro de 2001.
Chato, não é?. Que mal pode fazer um canivete numa mala no
depósito de bagagem de um avião? Afinal era só um objeto de estimação.
Regras devem ser obedecidas. Ele deu os quatro canivetes: um
para o procurador que ficou lá no Brasil; outro para um primo e os outros dois
para os filhos. Três entregues em mão. O quarto foi encomendado para um dos
filhos.
Passou o tempo, as chuvas da primavera. Chegou o verão
acanhado do Paralelo 40 europeu, os festivais de música, as praias lotadas no
Mediterrâneo. Ele não teve mais notícias do quarto canivete.
Será que o quarto canivete foi entregue?
Talvez não. Se o tivesse recebido teria agradecido.
Será que o quarto canivete foi entregue?
Talvez não. Se o tivesse recebido teria agradecido.
A gratidão é a forma do amor filial ao pai e ao amor ETERNO. Não se diz eu te amo D-us de Abraão, Isaac e Jacob. Diz-se “obrigado” SENHOR por minha vida...
Os filhos nascidos a partir de 1980 têm uma característica
única: não sabem dizer obrigado por aquilo que os pais fazem, por maior que
tenha sido o sacrifício desses pais.
Ele não se importava mais de ficar sem o canivete. Mas a gratidão
faz muita falta. E vai continuar fazendo. Não se iluda!
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