domingo, 16 de julho de 2017

O Canivete


A viagem estava próxima. Havia chegado a hora de aparta-se de coisas de que ele gostava muito: os livros, a coleção de moedas, selos, algumas ferramentas e os canivetes. Eram apenas quatro, mas muito estimados.

Houve coisas que ficaram. Outras foram vendidas e outras vieram com a mudança. Os canivetes, esses não podem mais viajar de avião desde os eventos em Nova Iorque de 11 de Setembro de 2001.

Chato, não é?. Que mal pode fazer um canivete numa mala no depósito de bagagem de um avião? Afinal era só um objeto de estimação.

Regras devem ser obedecidas. Ele deu os quatro canivetes: um para o procurador que ficou lá no Brasil; outro para um primo e os outros dois para os filhos. Três entregues em mão. O quarto foi encomendado para um dos filhos.

Passou o tempo, as chuvas da primavera. Chegou o verão acanhado do Paralelo 40 europeu, os festivais de música, as praias lotadas no Mediterrâneo. Ele não teve mais notícias do quarto canivete.

Será que o quarto canivete foi entregue?
Talvez não.  Se o tivesse recebido teria agradecido.

A gratidão é a forma do amor filial ao pai e ao amor ETERNO. Não se diz eu te amo D-us de Abraão, Isaac e Jacob. Diz-se “obrigado” SENHOR por minha vida...

Os filhos nascidos a partir de 1980 têm uma característica única: não sabem dizer obrigado por aquilo que os pais fazem, por maior que tenha sido o sacrifício desses pais.

Ele não se importava mais de ficar sem o canivete. Mas a gratidão faz muita falta. E vai continuar fazendo. Não se iluda!

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