quarta-feira, 7 de junho de 2017

Quantas crueldades foram cometidas em nome de D-us


Quantas crueldades foram cometidas em nome de D-us?Muitas. E muitas outras ainda serão cometidas. Matamos Deus cinicamente. Depois de Hirochima, destruída por uma bomba atômica chamada de garotinho (“Little Boy”) ficou quase impossível deixá-Lo ressuscitar em nossos corações.

Karen Amstrog, em Uma história de Deus, (1993), narra a morte dum “little boy” em Auchswitz, durante a Segunda Guerra Mundial.

“Um dia a Gestapo [polícia de Hitler] enforcou uma criança. Até os SS [militares do serviço secreto nazista] se perturbaram com a perspectiva de enforcar um garoto diante de milhares de espectadores [...]. O menino subiu o patíbulo em silêncio, lividamente pálido e quase calmo” (2008, p. 464).

O jovem Wiesel estava encarcerado em Birkenau e foi obrigado ver o enforcamento de uma criança. “Um anjo de olhos tristes”, lembra Wiesel (citado por Karen AMSTRONG, 2008, p. 464).

Vera Silveira Regert, outra estudiosa, acrescenta:

“Todos os detentos foram obrigados a desfilar e contemplar o morto”.
Wiesel transcreve, em A noite, uma breve conversa que teve com outro prisioneiro de Aucshwitz:

“Atrás de mim, ouvi o mesmo homem perguntar:

— E então, onde está Deus?

E senti em mim uma voz que lhe respondia:

— Onde Ele está? Ei-Lo — está aqui, nesta forca.

Naquela noite, a sopa tinha gosto de cadáver”. (WIESEL, citado por Vera REGERT, 2007,  p. 71).

Pensando no pathos divino, pergunto: ainda somos capazes de deixar o menino Deus renascer em nós?

Quem está morto, Deus ou o coração das mulheres e dos homens?

(Fortaleza, CE, Brasil, Natal de 2008)



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