O professor Joseph Campbell contou, em 1987, a seguinte
história.
Numa certa tribo americana havia uma jovem índia muito
bonita que desdenhava de todos os guerreiros que a cortejavam. Nenhum deles era
bom o suficiente para ela. A todos evitava.
Um dia, ela sai para recolher lenha seca com a mãe dela numa
mata próxima. De repente, começou uma tempestade. As duas, então, abrigaram-se
numa caverna e ascenderam uma fogueira, pois o lugar era escuro e frio.
Quando a chuva passou, um guerreiro alto e forte apareceu na
entrada da caverna. A jovem índia ficou encantada com ele. Não demorou até que
o guerreiro pediu a bela índia em casamento.
Casaram-se e foram morar no novo território.
Na nova tenda, passaram juntas três noites seguidas. Quando
a comida acabou, o guerreiro disse à mulher que ia caçar.
No final da tarde, uma cobra imensa entrou na tenda e foi
até a índia. Passado o susto, ela começou a acariciá-la. Depois, a cobra foi
embora.
Pouco tempo depois, chegou o marido com as caças. Durante o
jantar, ele perguntou:
― Mulher, você teve medo quando eu voltei em forma de
cobra.
― Não, meu marido.
― Ótimo.
Tempos depois, o guerreiro havia saído para caçar quando
entra a cobra na tenda. Ela começa a acariciá-la. Entra outra cobra. Mais
outra. E outra. Eram muitas! Com medo de tantas cobras, ela fugiu da aldeia em
louca correria.
Já exausta, ela chega à margem dum rio onde o Mestre dela
estava sentado. Ele perguntou:
― Onde você pensa que vai? Você não pode fugir ainda.
Casastes com sete irmãos. Volte para sua tenda. Pegue uma bolsa que está sob
sua cama. Nela você encontrará os sete corações do seu marido e dos irmãos dele.
Pegue a bolsa e volte.
A índia fez o que o Mestre dela mandou.
Ao voltar, o rio estava mais cheio e revolto. Ela não conseguia
atravessá-lo a nado. Quase se afogando, ela viu o Mestre sobre uma pedra que
aflorava seca. Desesperada ela pediu socorro.
Ele estendeu o cajado e a recolheu, pois para a sorte dela,
havia um mestre a quem se socorrer.

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