domingo, 23 de julho de 2017

The student backpack


Meu primo viu várias vezes um adolescente coreano passar pela Rua dos Cata-Ventos aos finais de tarde, sempre carregando uma mochila de estudante.

Naquele dia, meu primo voltava para casa quando viu um ladrão, com uma faca enferrujada tentando esfaquear o estudante coreano ao mesmo tempo em que tentava lhe arrancar a mochila. Mas o garoto lutava com toda energia que possuía!

Sem pensar direito, meu primo jogou o carro na calçada e foi em socorro do estudante. Hoje ele justifica seu gesto tresloucado dizendo que os filhos de 2 e 7 anos que estavam com ele no carro não mereciam ver um assassinato a facada.

De repente dois outros carros pararam e um homem mais jovem bateu com força no ladrão. O ladrão largou a faca, pegou uma bicicleta e fugiu. Outros homens saíram à procura do ladrão. O estudante coreano aproveitou a confusão e fugiu assustado na direção oposta. Meu primo foi para casa, todos corriam.

Foi horrível. Havia muita violência naquele bairro de classe média alta, geralmente envolvendo viciados em drogas e traficantes.

Uma semana depois, o cunhado do meu primo ligou convidando-o para jantar. Ele não queria sair à noite. Tinha medo. O cunhado insistiu:

― O restaurante fica a duas quadras do teu apartamento. Não me faça essa desfeita.

Não houve como recusar o convite.

Depois do jantar, por volta de meia noite, meu primo se despediu do casal. O cunhado dele o interpelou:

― Espera um pouco. Nós vamos te levar até tua casa.

― Não carece. Eu moro daqui a duas quadras.

― Faço questão, disse o cunhado.

Saíram os três em direção ao carro estacionado: meu primo, o cunhado e a concunhada. Quando chegaram ao carro, um homem falante e sorridente foi logo dizendo:

― Boa noite, doutor. O senhor pode me dar um dinheirinho p’ra janta? Tô com fome.


Era o mesmo sujeito que tentou matar o estudante coreano dias antes.


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