terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ter amigo é ter vida


Jó perdeu quase tudo, mas manteve os amigos.

A história de Jó (ou Job) descreve o sofrimento de um homem que perdeu quase tudo, menos os amigos. Estranho!

Por que Jó não perdeu os amigos?

Por que perder os amigos é morrer. Não há vida sem amigos e aí está uma coisa para pensar. 

A escola pode contribuir para que as pessoas sejam amigas, acho que sim. E deve fazê-lo, pois as taxas de sofrimento intenso são sinalizadas pelo suicídio em Portugal. Vive-se uma época de sofrimento crescente.

Conta-se que os primeiros dias de aula do poeta Charles Baudelaire foram sofridos. No primeiro dia o pai de Baudelaire ficou ao pé da porta da escola esperando que o filho se acomodasse em sala, mas isso não era simples para Baudelaire.

Um pouco depois de começar a aula, o pequeno e brilhante Charles, com 7 anos, volta chorando para o pai, abraça-o e diz:

― “Papa, je ne suis pas comme les autres”.

Ele não era como os outros, claro. Ele era Baudelaire.

A escola deveria ser um lugar bem chato para Baudelaire que viveu da palavra. Imagine-se um lugar onde as crianças não podiam conversar na hora do almoço. Que chato! Criança não é cabrito que come calado e vai embora. Criança fala.

Por essa dor, o poeta Carlos Drummond de Andrade não passou. Na escola dele as crianças conversavam na hora do almoço. A escola permitia. Falando se faz amigos. Ter amigo é ter vida! Jó, o paradigma do sofrimento, perdeu quase tudo, mas manteve os amigos.

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Carlos Drummond de Andrade teve um final de vida muito sofrido. Ele enterrou a própria filha que morreu precocemente. Esse sofrimento o marcou profundamente. Ele era pai.

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