Jó perdeu quase tudo, mas manteve os amigos.
A história de Jó (ou Job) descreve o sofrimento de um homem
que perdeu quase tudo, menos os amigos. Estranho!
Por que Jó não perdeu os amigos?
Por que perder os amigos é morrer. Não há vida sem amigos e
aí está uma coisa para pensar.
A escola pode contribuir para que as pessoas
sejam amigas, acho que sim. E deve fazê-lo, pois as taxas de sofrimento intenso
são sinalizadas pelo suicídio
em Portugal. Vive-se uma época de sofrimento crescente.
Conta-se que os primeiros dias de aula do poeta Charles Baudelaire
foram sofridos. No primeiro dia o pai de Baudelaire ficou ao pé da porta da
escola esperando que o filho se acomodasse em sala, mas isso não era simples
para Baudelaire.
Um pouco depois de começar a aula, o pequeno e brilhante Charles,
com 7 anos, volta chorando para o pai, abraça-o e diz:
― “Papa, je ne suis pas comme les autres”.
Ele não era como os outros, claro. Ele era Baudelaire.
A escola deveria ser um lugar bem chato para Baudelaire que
viveu da palavra. Imagine-se um lugar onde as crianças não podiam conversar na
hora do almoço. Que chato! Criança não é cabrito que come calado e vai embora.
Criança fala.
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Carlos Drummond de Andrade teve um final de vida muito sofrido. Ele enterrou a própria filha que morreu precocemente. Esse sofrimento o marcou profundamente. Ele era pai.
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