Eu sabia que seria uma viagem difícil,
afinal naquela zona não havia estradas, apenas veredas através do serrado
brasileiro. Então desisti de ir de cavalo. Preferi um burro. Erram terrenos
difíceis, pedregosos e revestidos de florestas.
O burro chamava Ramor e nasceu naquele
sítio. Era um “animal feito”, quer dizer amansado e adulto. Não era bonito, mas
forte e de boa “andadura”.
Em menos de três horas chegamos ao nosso
destino. Éramos quatro, mas somente eu estava ali pela primeira vez. Somente eu
montava um burro e não os cavalos vistosos de meus cicerones.
Então, começou a chover e trovejar.
Descobri naquele dia que meu compadre tinha um medo desmedido de trovão. Ele
entrou em pânico e começou a voltar. Algum tempo depois, no meio daquela chuva,
ele disse-me:
— Estou perdido.
— Como assim? Compadre, tu nascestes aqui!
— Mas estou perdido, disse-me quase
chorando.
Por alguma razão divina, eu me lembrei do
que aprendi com meu pai: “Um homem inteligente sabe quando deve seguir o burro”.
Liberei as
rédeas e o cabresto e deixei o burro em que estava montado voltar. O medo não passou.
Ele seguiu por um caminho estranho. Passamos por lugares íngremes, e voltamos.
Chegamos mais rápido que os cavalos.

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