Meu primo Alberto estava com mais ou menos doze anos. Uma
idade horrível. Jovem demais para namorar as colegas de classe.
― Papai, por que as meninas não olham para mim?
― Filho, eu acho que você está no caminho errado. Você se
apaixonou por uma menina que está apaixonada por ela mesma. Essa menina não vai
lhe dar atenção. Ela gosta mesmo é de se cuidar e parecer bonita.
Meu primo fechou a cara e saiu. Um tempo depois, voltou.
― O que eu faço?
― Filho, olhe para a menina que gosta de você.
― Papai, essa menina não existe.
O pai riu. Ele sabia que algumas coisas são difíceis de
entender e aprender. Daí, pacientemente ele disse o que pensava.
― Filho, certamente há uma boa menina de olho em você.
Mas você está obcecado demais por aquela Malagueña
para procurar entre as meninas alguma moça interessante. Encontre essa menina. “Deixe
essa mulher amar você”.
Uns 20 anos mais tarde, meu primo passou por um deserto com
um divórcio horroroso, briga judicial, partilha de bens, discussão de pensão.
Foi muito sofrimento, mas ele entendeu o que significa a frase “Deixe essa
mulher amar você” e ele já está casado com ela.

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