sábado, 4 de novembro de 2017

Meu pai não sabe muito apenas porque é meu pai, mas porque é velho.


Eu estava no Congresso Nacional colhendo assinaturas de apoio para o orçamento do PET-Capes. Pedi a um deputado e ex-ministro da Fazenda do Brasil que assinasse a moção que eu trazia, mas ele estava absorto ouvindo um jovem deputado apresentar uma Teoria do Desenvolvimento absolutamente infantil. Ridícula!

Então, eu perguntei espantado ao economista e ex-secretário da Fazenda:

― Deputado, por que o senhor está se dando ao trabalho de ouvir isso? Isso é uma bobagem sem tamanho.

― É verdade. Tudo que ele diz está errado, mas a ignorância dá uma coragem...

Parece que é assim mesmo. As pessoas fazem coisas inacreditáveis por pura ignorância. Mas por que mesmo aquele PhD em Economia, professor, ex-secretário da Fazenda não pediu a palavra e não mandou o jovem deputado calar-se? Por que ele se deu ao trabalho de ouvi-lo?

Infelizmente o professor-deputado com quem conversei já morreu. Jamais saberei a respostas às minhas perguntas. Desconfio que ele fosse velho o suficiente para ter aprendido que não adiantaria nada ele corrigir o jovem e apressado deputado que proferia solenes disparates. Há coisas que só o tempo ensina. Uma delas é ouvir asneira e ficar calado.

Eu também aprendi isso. Um dia cheguei irritado com as bobagens que um colega estava a dizer e ouvi do meu pai uma reprimenda:

― Deixe seu colega falar, filho, pois quem profere as insensatezes geralmente está muito orgulhoso de si e pouco disposto a aprender.


Demorei muito a entender o que meu pai falou naquele dia. Meu pai não sabia muito apenas porque era meu pai, mas porque era velho.

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