Eva nasceu numa família
de sírios que viviam no Norte do Brasil. Na Áustria, quando fazia doutorado,
conheceu Adam Juergen, um alemão com quem foi casada por mais de 10
anos.
Infelizmente, eles
tinham uma dificuldade intransponível: o sonho de Juergen era casar-se com uma
mulher que ele amasse (Isso ele conseguiu!) e que ela o amasse também, este foi o
problema.
Eu achava que Eva amava Juergen. Eu, aliás, não tinha
dúvidas desse amor. Ele tinha muitas dúvidas. Então, encharcados de cerveja, um dia
conversamos sobre esse amor.
― Juergen, Eva te ama. Você sabia?
― Não ama. Ela nunca me disse “eu te amo” sem que eu
insistisse.
― Juergen, Eva é minha amiga desse os 4 anos de idade. Para
ela, amor é compromisso e não um sentimento.
― Para mim amor é sinônimo de paixão. Amar faz ferver o
sangue. Você não entende isso porque é racional demais [um chato].
― Juergen, para Eva amar é cuidar, é estar perto, é estar
disposta, entende-me?
― Eu aprendi português lendo uma tradução do Os Sofrimentos
do Jovem Werther, aquilo é amor!
― Juergen, aquilo é paixão impossível, é obsessão. Eva
aprendeu a língua alemã circulando nas ruas Viena, conversando contigo. Amor,
para ela é fazer companhia, andar juntos por aí. "Freund, das ist Liebe".
― Não concordo consigo.
― Juergen, entenda uma coisa: sua mulher Eva não entende
essas suas fantasias românticas. Para ela o amor é uma experiência venusiana .
Para ti, meu amigo querido, é um sentimento marciano.
Ainda hoje lembro muito bem dessa conversa. Lembro que Eva usava uma
sapatilha cor-de-rosa ridícula. Adam Juergen, sentado a minha frente
usava um agasalho quadriculado de flanela, estava frio. Foi a última vez que os vi juntos. Que pena...
[Para meu amigo Ronaldo.]

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