Saia do controle. Sirva e sua vida terá sentido
O que é uma crença?
É qualquer convicção que pode ser facilmente
falsificada. Essas convicções existem em todo lugar. É muito apressado imaginar
que as crenças são fenômenos religiosos.
Uma dessas crenças é pretensão de imaginar
que a minha vida está em nossas mãos. Bobagem. Ninguém tem o controle da
própria vida. Às vezes somos enganados pelas coincidências outras pela “racionalização
dos resultados”.
Outros elementos do plano eram bem
precisos. A mulher com quem ele casaria tinha que ter certas características de
personalidade, aparência e idade bem precisas, algumas incompatíveis com as
características dele.
— Fracassou?
— Não sei. Prefiro acreditar que não
fracassou.
Outro amigo, colega de trabalho, tinha
sonhos para a vida dele. Sonhos não são a mesma coisa que planos. Um desses sonhos era poder clinicar sem se preocupar
com a possibilidade de que o paciente tivesse dinheiro ou não.
Esse camarada era viúvo, 59 anos de idade, os
filhos adultos, vida profissional invejável e formação acadêmica brilhante,
porém, uma vida doméstica solitária e uma situação empresarial arruinada pela
morte.
Para realizar esse sonho, ele foi trabalhar
— ou servir como ele diria — numa comunidade de trabalhadores humildes próxima de Jardim
Ângela, em São Paulo.
Depois de um ano e meio nessa comunidade, ele se viu
envolvido com os moradores do bairro como ela jamais imaginou: atendia no posto
de saúde, participava da igreja local, tinha um apartamento no bairro, conhecia
muita gente, e encontrou uma grande amiga no grupo de solteiros da igreja que
era a auxiliar dele na clínica.
De repente percebeu que já não morava mais
em Pinheiros e que o apartamento de quatro dormitórios que tinha estava quase
abandonado. Não usava mais o carro blindado. Ia raramente à casa dos
antigos colegas.
Não era aquilo que ele imaginava para a
vida dele. A vida daquele homem tomou um rumo próprio.
Encontrei-o por acaso. Hoje ele tem 90 anos,
uma aparência ótima. Casou com a amiga do grupo de solteiros e companheira de consultório,
nascida ali na comunidade mesmo. Tiveram mais três filhos. Dirige um grupo de
autoajuda, comprou uma frutaria e uma casa grande.
Perguntei: Como você conseguiu amigo? Você
estava triste e insolvente quando veio para cá.
— Sei lá, professor. Eu vim aqui para
servir. Era só um lugar para fazer coisas úteis e morrer, mas virou meu lar. Amo esse lugar.
E foi embora com o riso maravilhoso e o
coração cheio de amor.
Quando ele saiu eu chorei silenciosamente pensando naquilo
que ele me havia dito: “Eu vim aqui para servir”. O servo não está no controle,
mas ele conseguiu tanto! Será que servir atribui sentido à vida?
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