segunda-feira, 13 de março de 2017


Saia do controle. Sirva e sua vida terá sentido

O que é uma crença?

É qualquer convicção que pode ser facilmente falsificada. Essas convicções existem em todo lugar. É muito apressado imaginar que as crenças são fenômenos religiosos.

Uma dessas crenças é pretensão de imaginar que a minha vida está em nossas mãos. Bobagem. Ninguém tem o controle da própria vida. Às vezes somos enganados pelas coincidências outras pela “racionalização dos resultados”.  

Conheci há muitos anos um homem que estabeleceu um plano bem precisa de sucesso. Entre os elementos desse plano, muitos eram flexíveis o suficiente para que ele imaginasse que estava no controle.

Outros elementos do plano eram bem precisos. A mulher com quem ele casaria tinha que ter certas características de personalidade, aparência e idade bem precisas, algumas incompatíveis com as características dele.

— Fracassou?

—  Não sei. Prefiro acreditar que não fracassou. 

Outro amigo, colega de trabalho, tinha sonhos para a vida dele. Sonhos não são a mesma coisa que planos. Um desses sonhos era poder clinicar sem se preocupar com a possibilidade de que o paciente tivesse dinheiro ou não.

Esse camarada era viúvo, 59 anos de idade, os filhos adultos, vida profissional invejável e formação acadêmica brilhante, porém, uma vida doméstica solitária e uma situação empresarial arruinada pela morte.

Para realizar esse sonho, ele foi trabalhar — ou servir como ele diria — numa comunidade de trabalhadores humildes próxima de Jardim Ângela, em São Paulo. 

Depois de um ano e meio nessa comunidade, ele se viu envolvido com os moradores do bairro como ela jamais imaginou: atendia no posto de saúde, participava da igreja local, tinha um apartamento no bairro, conhecia muita gente, e encontrou uma grande amiga no grupo de solteiros da igreja que era a auxiliar dele na clínica.

De repente percebeu que já não morava mais em Pinheiros e que o apartamento de quatro dormitórios que tinha estava quase abandonado. Não usava mais o carro blindado. Ia raramente à casa dos antigos colegas.

Não era aquilo que ele imaginava para a vida dele. A vida daquele homem tomou um rumo próprio.

Encontrei-o por acaso. Hoje ele tem 90 anos, uma aparência ótima. Casou com a amiga do grupo de solteiros e companheira de consultório, nascida ali na comunidade mesmo. Tiveram mais três filhos. Dirige um grupo de autoajuda, comprou uma frutaria e uma casa grande.

Perguntei: Como você conseguiu amigo? Você estava triste e insolvente quando veio para cá.

— Sei lá, professor. Eu vim aqui para servir. Era só um lugar para fazer coisas úteis e morrer, mas virou meu lar. Amo esse lugar.

E foi embora com o riso maravilhoso e o coração cheio de amor.


Quando ele saiu eu chorei silenciosamente pensando naquilo que ele me havia dito: “Eu vim aqui para servir”. O servo não está no controle, mas ele conseguiu tanto! Será que servir atribui sentido à vida? 

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