Como era o amor há 80 anos? Há 100 anos?
Dona Jupira e Seu Chiquinho, um casal lindo que vivia no
isolado Vale da Babilônia, bem que poderiam responder. Mas a pergunta não lhes
foi feita. Pelo menos não assim.
O jornalista queria apenas saber como as pessoas viviam num dos
sítios mais isolados das Minas Gerais, sudeste do Brasil. E começou a gravar
cedo, no curral, vendo Seu Chiquinho ordenhar.
Ordenha é trabalho duro. Exige vigor, paciência, habilidade,
força e, nesse caso, capacidade de suportar o frio da Serra da Canastra.
― Dona Jupira ajuda o senhor, Seu Chiquinho?
― Ajuda, ajuda sim senhor..
― O que Dona Jupira faz?
― Ela solta o bezerro.
Depois, na cozinha, fogo da casa, Dona Jupira começa a assar uns
pães-de-queijo. Encantado com o sabor, o cheiro, a textura da
iguaria, o jornalista pergunta:
― Seu Chiquinho, que tal montarmos um negócio para vender
pão-de-queijo em São Paulo? Ganharíamos bastante dinheiro. Esse pão é divino.
Seu Chiquinho não respondeu. Não carecia.
― Dona Jupira, Seu Chiquinho lhe ajuda a preparar os
pães-de-queijo?
― Ajuda.
E a câmera fecha nas mãos calejadas de Seu Chiquinho fazendo bolinhas com a
massa do pão-de-queijo.
― Como foi que o senhor conheceu Dona Jupira?
― Nossos pais eram amigos. Quando eles saiam para caçar, eu
ficava tomando conta dela.
― O namoro naquele tempo era diferente, não era Seu
Chiquinho? Era só olhares. Mãos dadas...
Nesse instante o olhar de Dona Jupira atravessou a conversa: Mão na mão? Que ridículo! Será que esse senhor nunca amou?

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